Lula deve ir aos EUA encontrar Donald Trump nesta semana
Lula e Trump se encontram na Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/PR
por Folha de S.Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve viajar nesta semana para os Estados Unidos, onde pode enfim se encontrar com Donald Trump.
A expectativa é de que a reunião seja na quinta-feira (7), e a confirmação oficial deve sair em comunicado da Casa Branca. A expectativa é que o presidente embarque na quarta (6) e retorne na sexta-feira (8).
Lula deve viajar junto com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que esteve nos EUA durante as reuniões da primavera do FMI (Fundo Monetário Internacional) e anunciou no início de abril uma parceria estratégica entre os dois países para o combate ao crime organizado transnacional.
Em entrevista a jornalistas, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou torcer para que a “boa química” entre Lula e Trump “possa se fortalecer ainda mais”.
Integrantes do governo e diplomatas ainda adotam cautela e evitam dar como certa a visita porque a informação não foi oficialmente divulgada pelas autoridades americanas. Do lado brasileiro, há o receio de confirmar a informação antecipadamente e o governo americano cancelar o compromisso.
Lula e Trump estão de lados opostos do espectro político mundial. O brasileiro costuma fazer diversas críticas ao americano e, no ano passado, adotou um discurso de defesa da soberania nacional depois de os Estados Unidos imporem um tarifaço contra produtos brasileiros.
Trump, à época, relacionou as tarifas ao processo contra Jair Bolsonaro (PL) –meses depois, o ex-presidente seria condenado a 27 anos e três meses de prisão em decorrência da trama golpista.
Nos últimos meses, porém, o americano não criticou Lula. Na última vez em que foi questionado sobre o brasileiro, afirmou que gostava dele e que adoraria recebê-lo na Casa Branca.
O governo brasileiro fez movimentos diplomáticos para reverter o tarifaço, e conseguiu derrubar as taxas de diversos produtos. Em setembro do ano passado, Lula e Trump tiveram um primeiro encontro: conversaram rapidamente em Nova York, durante a Assembleia-Geral da ONU.
Depois, eles se falaram por telefone. Em outubro do mesmo, por exemplo, Trump afirmou que uma conversa telefônica com Lula havia sido ótima e que poderia visitar o Brasil. Eles se encontraram no mesmo mês na Malásia, onde participaram de uma cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático.
Em janeiro, Lula afirmou que encontraria Trump em março. “Vou fazer uma viagem a Washington porque os Estados Unidos e o Brasil são as duas principais democracias do Ocidente, e eu acho que dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro”, declarou o brasileiro à época.
A guerra no Irã, iniciada por EUA e Israel em 28 de fevereiro, embaralhou a agenda internacional. Embora o encontro já não tivesse data fechada, o conflito tornou ainda mais difícil definir um dia, já que a prioridade da Casa Branca e das lideranças americanas se deslocou para a condução da crise no Oriente Médio.
Aliados de Lula avaliavam que a reunião com Trump não seria realizada caso não acontecesse até o fim de junho. O motivo seria a eleição deste ano, quando Lula tentará um novo mandato à frente do Planalto. A agenda de pré-campanha e campanha costuma dificultar viagens do presidente ao exterior.
O entorno de Lula teme que Trump tente algum tipo de intervenção na eleição brasileira. O pleito na Hungria foi um termômetro nesse sentido. O governo brasileiro acompanhou as eleições no país europeu como um teste prático para medir a capacidade de interferência dos EUA.
Apesar da escancarada campanha de Trump a seu favor, o premiê Viktor Orbán acabou derrotado nas urnas depois de 16 anos no poder.