Mãe de vítima de estupro coletivo diz que foi coagida por pais de suspeitos: ‘Como se um pedido de desculpa fosse resolver’

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Prints mostram conversa entre adolescente vítima de estupro coletivo e um dos suspeitos — Foto: Reprodução/Redes sociais

A mãe da adolescente vítima de um estupro coletivo em Contagem, na Grande BH (MG), disse que, enquanto acompanhava a filha realizando exames e recebendo medicação no hospital, pais de dois envolvidos nos abusos foram até o local na tentativa de negociar um acordo.

A vítima denunciou que foi abusada por ao menos quatro adolescentes durante um encontro com amigos em sua casa, e suspeita que perdeu a consciência após ter sua bebida adulterada. No local estavam oito jovens.

“Eles ficaram na porta, dois dos pais dos adolescentes abusadores. Ficaram na porta nos coagindo, querendo conversar para resolver o problema como se uma conversa, um pedido de desculpa fosse resolver. As médicas que ficaram revoltadas e elas acionaram o 180 e registraram boletim de ocorrência”, relatou a mulher.

A mãe da vítima explicou ainda, em entrevista ao g1, que, após o crime, algumas mensagens de celular foram enviadas por um dos adolescentes. Segundo ela, o rapaz é o melhor amigo da filha e teria feito ameaças para evitar que a jovem contasse o ocorrido (veja foto abaixo). Os conteúdos das conversas já foram encaminhados à polícia.

“Eu quero ir até as últimas consequências. Eu quero que eles paguem. Por mais que sejam menores de idade, precisam pagar. Se com essa idade eles fizeram isso, com a melhor amiga, quem garante que não vão fazer de novo?!”, destacou a mãe da adolescente.

Prints mostram conversa entre adolescente vítima de estupro coletivo e um dos suspeitos — Foto: Reprodução/Redes sociais
Prints mostram conversa entre adolescente vítima de estupro coletivo e um dos suspeitos — Foto: Reprodução/Redes sociais

Adolescentes começaram a ser ouvidos

O crime aconteceu no bairro Arvoredo, na última sexta-feira (12). A vítima, de 17 anos, relata ter ingerido bebida possivelmente adulterada, perdido a consciência e ter sido abusada por ao menos quatro jovens.

No churrasco, estavam presentes oito jovens, incluindo duas amigas da vítima, o namorado de uma delas, um amigo do casal e outros quatro conhecidos.

Na quinta-feira (18) os adolescentes suspeitos de envolvimento no estupro começaram a ser ouvidos pela Polícia Civil. Em nota, o órgão informou que a investigação segue sob sigilo na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher de Contagem.

Por serem menores de idade, os adolescentes não respondem criminalmente da mesma forma que adultos. Caso o envolvimento seja comprovado, eles poderão responder por ato infracional análogo ao crime de estupro, com aplicação de medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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