Messias cogita deixar o governo após rejeição em sabatina, e Lula pede que ele fique

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Presidente Lula (PT) e o ministro da AGU, Jorge Messias, recém-indicado a uma vaga ao STF - Ricardo Stuckert/Divulgação PR

por Folha de S.Paulo

Ministro-chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias admitiu a aliados que cogita entregar o cargo após a rejeição de seu nome para o STF (Supremo Tribunal Federal). No fim da noite de quarta-feira (29), ainda sob impacto da derrota no plenário do Senado, ele manifestou, em mensagens, a intenção de sair da Esplanada.

Abalado com a derrota, sinalizou essa possibilidade ao próprio presidente Lula (PT) no Palácio do Alvorada. Mas, segundo relatos, o petista insistiu em sua permanência na gestão e sugeriu que Messias não tome qualquer decisão precipitada.

Entre colaboradores de Lula, cresce uma torcida para que o atual advogado-geral assuma o Ministério da Justiça. Seria uma demonstração de reconhecimento de seu trabalho à frente da AGU e uma resposta a quem votou contra sua nomeação para o STF.

Em conversas, Messias disse que um sonho foi destruído por senadores. Afirmou que, embora não tenha pedido para ser indicado, apresentou seu nome de maneira respeitosa. Falou ainda que, apesar dessa conduta, enfrentou uma campanha difamatória por cinco meses.

Ele também se ressente da falta de apoio de integrantes do PT, alguns deles defensores de outros nomes para o tribunal.

Nessas conversas, interlocutores de Messias sugeriram que ele reflita com calma sobre seu futuro. Eles reconhecem, porém, que um dos obstáculos para sua permanência na AGU seria a necessidade de negociar com autoridades que articularam sua derrota.

Na avaliação de aliados de Messias, os ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino estão entre os opositores de sua nomeação, além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

Alcolumbre queria que Pacheco tivesse sido indicado e passou a trabalhar contra o escolhido do presidente da República.

Senadores relataram ter recebido pedidos diretos do presidente da Casa para votarem contra a indicação do advogado-geral da União.

Na noite de quarta, após a abertura do painel do plenário mostrar o resultado da votação, Messias disse a aliados que entrará para a história como o único rejeitado para o cargo em mais de cem anos.

Ele precisava de ao menos 41 votos favoráveis, maioria absoluta, mas obteve apenas 34. Foi a primeira vez que o Legislativo barrou um indicado do presidente da República para a Suprema Corte desde 1894.

Logo depois da derrota, o governo Lula começou a mapear as traições que culminaram na rejeição de Messias. A estimativa governista era de que haveria cerca de 45 votos favoráveis.

A quinta (30) foi marcada por mal-estar entre aliados e por um clima geral de desconfiança. Na véspera, durante reunião na residência oficial da Presidência logo após o fim da votação, integrantes do governo identificaram votos contrários no MDB e no PSD, em um conluio conduzido por Alcolumbre.

No dia seguinte, porém, dirigentes do MDB fizeram chegar à Presidência que o partido havia apoiado a escolha de Messias e que a única dissidência, provavelmente, foi a da senadora Ivete da Silveira (SC), suplente do governador bolsonarista Jorginho Mello (PL).

Lula pode fazer uma nova escolha para o Supremo, que também precisará ter o aval do Senado. Alcolumbre, porém, prometeu à oposição que a indicação caberá a quem vencer a eleição presidencial e que não colocará em votação outro nome apresentado pelo petista antes do pleito.

Atualmente, Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas de intenção de voto para segundo turno.

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