Ministério Público denuncia presidente do Corinthians por suspeita de apropriação indébita

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por Folhapress

Um homem de óculos e cabelo grisalho está falando em um microfone durante uma conferência de imprensa. Ele usa uma camisa clara e um casaco escuro. À sua frente, há vários microfones de diferentes emissoras de televisão e rádio. O fundo é escuro, sugerindo um ambiente formal.
Presidente interino do Corinthians Osmar Stabile em entrevista no Parque São Jorge – José Manoel Idalgo – 27.mai.25/Ag. Corinthians

O Ministério Público de São Paulo apresentou nesta terça-feira (15) uma denúncia contra o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, pelo suposto cometimento do crime de apropriação indébita. De acordo com o órgão, o cartola teria usado recursos do clube para contratar serviços de segurança pessoal.

O promotor Cassio Conserino, responsável pela investigação, afirma que Stabile usou dinheiro do clube no pagamento dos serviços contratados junto à empresa Bear Security, que segundo a denúncia, teria atuado exclusivamente em benefício do dirigente e possivelmente de sua família.

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O Corinthians teria desembolsado R$ 721.194,66 em pagamentos à empresa no período. Os pagamentos começaram em julho de 2025, mas o contrato formal só teria sido assinado em março de 2026. Além de notas fiscais que somam o montante, o MP aponta que Stábile teria reconhecido em uma entrevista que sabia que o clube pagava a empresa e chamado o serviço de “segurança VIP ao presidente”.

Em nota, o cartola voltou a defender a necessidade do serviço devido ao cargo que exerce. “A segurança não foi contratada para Osmar como pessoa, mas em razão do cargo. As ameaças, de conhecimento público, decorreram de sua atuação como presidente, atingiram sua família e motivaram manifestações de repúdio, inclusive da FPF (Federação Paulista de Futebol) e CBF (Confederação Brasileira de Futebol).”

“Nesse contexto, causa também estranheza o pedido de afastamento formulado pelo Ministério Público, que será devidamente contestado nos autos”, acrescentou o comunicado.

O MP afirma, ainda, que a empresa é considerada irregular, pois não tinha autorização da Polícia Federal para atuar como empresa de segurança privada. O MP diz ter requisitado investigação da PF sobre possível crime previsto no artigo 50 da Lei 14.967/24. Ainda na entrevista à TMC, Stabile defendeu a regularidade da atuação da empresa.

Ainda de acordo com a denúncia apresentada pelo MP, o Corinthians teria alegado que a contratação era destinada exclusivamente à segurança pessoal do presidente e estaria amparada pelo artigo 119, alínea “f”, do estatuto.

O MP contesta essa interpretação, uma vez que o artigo citado se refere às despesas obrigatórias do Corinthians, sem citar benefícios patrimoniais ao seu presidente. O artigo cita, por exemplo, gastos com tributos, impostos, taxas, salários, entre outros.

O órgão, contudo, lembra que o clube já possui outra empresa, a Unity, responsável pela segurança institucional na Neo Química Arena e no Parque São Jorge.

O MP denunciou Stábile pelo artigo 168 do Código Penal (apropriação indébita). O órgão pede R$ 721 mil de danos materiais, corrigidos, e ao menos R$ 540,9 mil de danos morais ao Corinthians. Houve, ainda, um pedido de bloqueio de bens de Stabile para garantir eventual ressarcimento.

Também como medida cautelar, foi pedido que o dirigente seja proibido de entrar no Corinthians, contatar testemunhas e dirigentes, exercer funções associativas ou representar institucionalmente o clube, além de restrições para viagens dentro e fora do país.

Veja a nota de Osmar Stabile

Osmar Stabile, por meio de sua defesa, recebe com estranheza a denúncia apresentada pelo Promotor de Justiça Cássio Conserino, que tenta transformar em acusação criminal a contratação de uma equipe de segurança para o exercício da Presidência do Sport Club Corinthians Paulista.

A segurança não foi contratada para Osmar como pessoa, mas em razão do cargo. As ameaças, de conhecimento público, decorreram de sua atuação como presidente, atingiram sua família e motivaram manifestações de repúdio, inclusive da Federação Paulista de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O Ministério Público conhecia esses fatos, assim como sabia que a adoção de segurança para dirigentes ocorre em outros grandes clubes e já foi utilizada em gestões anteriores do Corinthians.

Nesse contexto, causa também estranheza o pedido de afastamento formulado pelo Ministério Público, que será devidamente contestado nos autos.

Osmar Stabile permanece normalmente no EXERCÍCIO DA PRESIDÊNCIA, pois o pedido depende de decisão judicial.

A defesa, por sua vez, confia no Poder Judiciário e está segura de que ficará demonstrado que não houve qualquer apropriação de valores do clube.

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