Ministro da Fazenda aposta em bastidores e memes para divulgar ações nas redes
Dario Durigan em entrevista. — Foto: Reprodução/GloboNews
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, ampliou a presença nas redes sociais após assumir o cargo, em uma estratégia que o diferencia de seu antecessor, Fernando Haddad (PT). Nos perfis do Instagram e do X (ex-Twitter), o atual ministro combina conteúdo institucional e bastidores de agendas públicas, responde pessoalmente a comentários e segue celebridades como Anitta e o jogador Vinicius Junior.
Desde que assumiu o cargo, o perfil de Durigan cresceu nas métricas das redes sociais. Houve um aumento de 3.200 seguidores em um mês, uma alta de 30%. Já o engajamento, medido por indicadores como número de curtidas e comentários, foi de 10,4% –maior do que a média para perfis similares, de 8%. Os dados são da plataforma digital Not Just Analytics.
A fase atual da página de Durigan no Instagram é tida como experimental, segundo integrantes da Fazenda, e busca testar o equilíbrio entre o conteúdo institucional e os bastidores de agendas públicas. O perfil também é usado pelo próprio ministro.
Há uma tentativa de humanizar a imagem do ministro. Em uma agenda em Washington, em abril, a legenda de um post no Instagram de Durigan durante evento do FMI (Fundo Monetário Internacional) diz: “Vocês acham que o ministro da Fazenda está o tempo todo no ar condicionado? As Spring Meetings do FMI me botaram para andar!”
Logo no início de sua gestão, o ministro ficou responsável pelo Novo Desenrola, programa anunciado para reduzir a alta do endividamento no país e, a reboque, elevar a popularidade de Lula nos meses anteriores à eleição. Durigan fez uma divulgação extensiva sobre o programa em seu perfil.
Isso levou o ministro a fixar em sua página do Instagram uma parceria com a influenciadora Nath Finanças, que produziu, junto ao ministro, um vídeo de tira-dúvidas sobre o programa. O post teve 3.658 curtidas e 66,8 mil visualizações.
“Pessoas que admiro viam na comunicação uma coisa mais setorizada, uma relação com a imprensa. Isso dava conta do Ministério da Fazenda. Hoje, tem um desafio de explicar para as pessoas. Então, vou insistir num modelo tradicional, de falar com setoristas? Acho que a gente precisa falar em rede social e expandir para onde o povo está”, afirmou Durigan no programa Roda Viva.
Em nota, a Fazenda afirma que há um desafio do ministro e de sua equipe de explicar de forma acessível assuntos políticos e técnicos, como a reforma tributária e os impactos de eventos internacionais sobre o Brasil. Isso inclui falar nas redes sociais e em outros ambientes de circulação de informação.
Auxiliares do ministro afirmam que parcerias com outros influenciadores são cogitadas para a divulgação de futuros programas do governo a serem lançados neste ano.
Ao se tornar ministro, Durigan repassou à equipe a orientação de ampliar a presença nas redes sociais, segundo pessoas próximas a ele. A ideia é promover as ações da Fazenda nas redes e traduzir pautas técnicas que o ministério toca onde há uma presença maior da população não especializada no tema.
No perfil institucional da pasta, o trabalho é feito pela própria equipe do Ministério da Fazenda, formada por servidores e terceirizados da agência CDN, cujo contrato com a pasta é de R$ 17 milhões de março de 2026 a março de 2027. Uma funcionária que havia sido cedida ao Ministério do Planejamento foi reincorporada à Fazenda com o objetivo de revisar o conteúdo e garantir que o rigor técnico não vá embora junto com o fim do economês.
Durigan segue 1.300 perfis dos mais variados nas redes, incluindo artistas, influenciadores, políticos, jogadores de futebol e até restaurantes –o que indica um uso da página também para fins pessoais.
Entre eles, Anitta, Taylor Swift, Vinicius Junior e o influenciador Pedro Pacífico –conhecido como Bookster.
No X, o ministro segue um número menor de perfis, incluindo o de Ivanka Trump, filha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No Instagram, Durigan acompanha ainda páginas de bares e restaurantes no Rio, em São Paulo e em Brasília.
A presença nas redes sociais também abre um espaço maior para críticas, que já existiam desde que ele era secretário-executivo. As objeções de parte da população à política econômica de seu antecessor Fernando Haddad, que renderam o apelido de “Taxad”, também respingaram no atual ministro. Ele recebeu comentários críticos a ações do governo, algo que ganhou escala desde que assumiu o cargo.
A estratégia de Durigan se diferencia da de Haddad, agora pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT. No cargo de ministro, Haddad publicava sobretudo cortes de entrevistas e falas públicas, além de fotos de agendas institucionais. Eram raros vídeos em que o então ministro falava diretamente com a câmera.
Já Durigan posta conteúdo específico para o público das redes. Isso inclui, por exemplo, bastidores de como se prepara para agendas públicas e vídeos em que explica programas de governo aos internautas.
É uma prática adotada mais timidamente desde que era secretário-executivo na pasta, cargo de número dois de Haddad. Na época, se apresentava nas redes como vice-ministro da Fazenda.
