Moraes determina início de pena de Eduardo Bolsonaro e cancela passaportes
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
por Folhapress
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou na quarta-feira (7) o início do cumprimento da pena do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado a quatro anos e dois meses de prisão em regime inicialmente semiaberto, pela atuação nos Estados Unidos no crime de coação para intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista.
O relator declarou o trânsito em julgado do processo, no qual não há mais possibilidade de recursos e a partir de quando é possível executar a pena fixada.
Em nota, Eduardo Bolsonaro afirma que o ministro do STF quer tumultura o país com uma “decisão arbitrária, inoportuna e inócua”. Segundo ele, o Estados Unidos deixaram claro que não cumprem “decisões delirantes dessa natureza”.
O ex-deputado afirma que, com a eventual eleição do irmão e com a nova configuração do Congresso, seria restaurada o que ele chama de normalidade no país. “O único efeito prático desse ato, tomado deliberadamente no meio do processo eleitoral, é acirrar ainda mais, e sem nenhuma necessidade, os ânimos do país. Felizmente, no próximo dia 25, o povo brasileiro dará o seu recado final elegendo Flávio Bolsonaro, que, com o novo Congresso, vai restaurar a normalidade no Brasil”.
O relator abriu o inquérito em 26 de maio a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República). O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ter cometido os crimes ao atuar, nos EUA, junto a autoridades estrangeiras contra integrantes do Supremo, da PGR e da PF.
A Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, receber a denúncia contra o então parlamentar em 15 de novembro. A decisão também determina o cancelamento de todos os passaportes emitidos em nome de Eduardo.
O crime de coação consiste em “usar de violência ou grave ameaça, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou é chamada a intervir em processo judicial”.
Na denúncia, o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que Eduardo e o jornalista Paulo Figueiredo tentaram explorar o relacionamento que mantêm com integrantes do governo americano e assessores e conselheiros do presidente Donald Trump e que se valeram dessa rede de contatos para constranger a atuação do Supremo.
Em nota conjunta de Eduardo e Figueiredo, divulgada após a denúncia, a dupla disse que a acusação revela a “perseguição política em curso”. Eles ainda dizem que a acusação é “fajuta” e chamam a equipe de Paulo Gonet na PGR de “lacaios de Moraes”.
No julgamento, Moraes disse que “não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”. O ministro afirmou ainda, que a “desinformação” levada por Eduardo e por Figueiredo ao governo de Donald Trump, que resultou na aplicação de tarifas contra produtos brasileiros, prejudicou todo o Brasil com o intuito de beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas “não amedrontou essa corte”.


