Mortes por armas de fogo nos Estados Unidos atingem nível mais alto em quase 30 anos

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Policial caminha pelo centro de Highland Park, um subúrbio de Chicago, onde ocorreu um tiroteio durante um desfile do Dia da Independência dos EUA — Foto: Brian Cassella/Chicago Tribune via AP

A quantidade de massacres causados por tiroteios nos Estados Unidos em 2022, até o início de julho, é de 320, menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Mas o número de tragédias por armas de fogo vêm crescendo no país: desde 2019, foram contabilizadas 45 mil mortes a cada ano, uma situação inédita desde 1995.

O que mais preocupa os especialistas norte-americanos é que este crescimento no número de mortes por tiros ocorre dentro das casas, em acidentes domésticos, brigas e suicídios. A análise foi feita com base em dados compilados por entidades como a organização “Gun Violence”, que reúne informações oficiais de fontes federais sobre incidentes causados por armas de fogo em todo o país.

Pesquisadores acreditam que este crescimento exponencial em mortes em tiroteios está diretamente relacionado aos recordes de compras de armas registrados nos últimos dois anos. A estimativa é de que 43 milhões de novas armas tenham sido adquiridas nestes últimos três anos nos Estados Unidos. A Associação das Indústrias de Armas de Fogo (NSSF) divulgou um levantamento de que só em 2021, 5,4 milhões de pessoas compraram armas pela primeira vez.

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Ainda não há uma resposta sobre os motivos que levam as pessoas a adquirir armas e nem sobre os fatores que impulsionaram o aumento da violência e mortes por tiros. Mas analistas veem uma clara relação destes números com o temor da insegurança gerado pela pandemia de Covid-19, o desgaste na confiança por parte da sociedade civil com o poder público, problemas de saúde mental e a grande quantidade de armas em circulação.

Controle x cultura

A dificuldade de impor um controle mais rigoroso de armas nos Estados Unidos vem de fatores culturais, históricos e do lobby das empresas que fabricam e comercializam armas. O argumento central dos defensores do porte de armas é a própria lei.

A segunda emenda da Constituição dos Estados Unidos, aprovada em 1791, protege o direito da população e da polícia à legítima defesa, permitindo adquirir ou portar armas. Esse apelo cultural é amplamente usado pela indústria de armamentos, que realiza grandes campanhas publicitárias, além de sua influência junto a políticos conservadores. Em 2020, a Associação Nacional do Rifle (NRA) investiu US$ 23 milhões em campanhas de apoio a candidatos republicanos.

O presidente americano, Joe Biden, disse em maio, depois de um massacre que matou 19 crianças no Texas, que é hora de agir contra essa situação. “Como nação, temos que nos perguntar, quando, em nome de Deus, vamos fazer o que tem que ser feito contra o lobby das armas e fazer o que precisa ser feito?”, questionou em um pronunciamento.

Quem pede mudanças defende que os Estados Unidos devem começar a controlar o limite da quantidade de armas por habitante. O comediante Trevor Noah, do programa “The Daily Show”, fez recentemente uma comparação entre a compra de remédios e de armas.

“Você não pode chegar na farmácia e dizer: ‘me dá mais remédio do que prevê a receita porque meu braço doí’. Você só compra com receita”, observa. “Mas, para comprar armas, você pode ir comprar uma, duas, pode voltar e comprar milhares de vezes e ninguém vai questionar você por isso”, ressalta.

Presidente americano, Joe Biden, e a primeira-dama, Jill Biden, visitam entrada da escola de ensino fundamental Robb, em Uvalde, Texas — Foto: Marco Bello/REUTERS
Presidente americano, Joe Biden, e a primeira-dama, Jill Biden, visitam entrada da escola de ensino fundamental Robb, em Uvalde, Texas — Foto: Marco Bello/REUTERS
Visitantes observam painel de exibição em Convenção Anual de Armas no Texas , EUA — Foto: Michael Wyke/AP
Visitantes observam painel de exibição em Convenção Anual de Armas no Texas , EUA — Foto: Michael Wyke/AP

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