MST quer vagas de Medicina “sem vestibular” para assentados

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Bandeira do MST. Foto: Marcello Casal Jr/Agencia Brasil

Por Paulo Moura

A Universidade Federal de Pelotas (UFPel), localizada no Rio Grande do Sul, deve criar nos próximos meses uma turma exclusiva do curso de Medicina apenas para assentados da reforma agrária. A medida pretende atender a uma demanda antiga do Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra (MST), grupo que ganhou força com a volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao poder.

A criação da turma especial é parte de uma discussão entre a UFPel, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o MST. A destinação desse tipo de vaga em cursos superiores para assentados em áreas de reforma agrária é possível graças ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), um programa federal criado no segundo governo Lula, em 2009.

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No manual de operações do Pronera, não constam expressamente definidas as regras dos processos seletivos para ingressos desses estudantes, que ficariam a cargo das instituições de ensino. Porém, de acordo com um edital recente da UFPel para o curso de Medicina Veterinária, é possível perceber que o ingresso desses alunos ocorre de maneira bem diferente, sem o vestibular nos moldes tradicionais.

No edital em questão, aberto no final do ano passado, constavam duas fases de seleção: a primeira é uma prova de redação, enquanto a segunda é chamada de “período pedagógico avaliativo”, no qual os candidatos fazem um período de 19 dias ininterruptos de estudos, avaliações e vivência em um instituto de educação de um assentamento do MST em Viamão, no Rio Grande do Sul.

Outro documento que também é apresentado pelos candidatos é o chamado “memorial descritivo”, que consiste em “um relato acerca da história de vida do candidato, que contenha elementos sobre sua trajetória escolar, as vivências relacionadas à luta pela terra e as experiências em acampamentos, assentamentos ou comunidades rurais, as expectativas de ingresso na Universidade e a importância da formação”.

A ideia de criar uma turma de Medicina com um processo de seleção diferenciado e exclusivo para determinada parcela da população, porém, desagradou instituições médicas, como o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), que se posicionou em uma nota oficial contra a flexibilização do ingresso e disse ver “risco de redução da qualidade de formação técnica”.

– Há grave risco de redução da qualidade de formação técnica dos alunos, pelo rebaixamento da exigência desses critérios, havendo manifestação pública de que o vestibular passaria a se dar exclusivamente por meio de prova de redação, o que não ocorre hoje para nenhum outro candidato – relata o sindicato.

A Reitoria da UFPel, por outro lado, defendeu a medida e afirmou que a iniciativa de criar uma turma especial no curso de Medicina “é uma resposta a uma preocupação social em relação à saúde e ao acesso a cuidados médicos adequados nas áreas rurais e entre as comunidades agrárias. A partir de uma demanda legítima apresentada pelos movimentos sociais, resolvemos assumi-la e trabalhar para concretizá-la”.

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