“Não cometi crime”, diz ex-jornalista da Globo acusado de corrupção

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Renata Vasconcellos e Tyndaro Menezes. Foto: Reprodução/Grammy

Demitido da Globo após suspeitas de corrupção, o jornalista Tyndaro Menezes se defendeu das acusações de envolvimento em esquemas ilícitos. Em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada neste sábado (21/5), o ex-chefe de jornalismo investigativo da emissora no Rio de Janeiro afirmou não ter cometido crime nenhum. “A verdade prevalecerá”, disse.

Tyndaro é alvo de investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por suspeita de envolvimento com Ângelo Ribeiro de Almeida Júnior, ex-titular da Delegacia Fazendária fluminense, denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro na compra de insumos médicos. Ele foi demitido da emissora carioca nessa quarta-feira (18/5).

Em trechos de conversas obtidas pelo MPRJ e incluídos em um documento que será enviado ao Ministério Público Federal, o delegado diz que Menezes deve “receber sua parte em dinheiro” apesar de “não integrar nenhuma empresa”.

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Segundo apontamento do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no documento, “o envolvimento de Tyndaro Menezes com o denunciado Ângelo Ribeiro fica ainda mais evidente no e-mail enviado pelo denunciado a pessoa não identificada, onde ele expressamente afirma que iria repartir com o jornalista parcela do valor recebido.”

Tyndaro Menezes é, segundo o MPRJ, apresentado como Tyn no e-mail. “Mas precisei ser recepcionado pela outra ponta da operação, para com sorte, ficar com 1% do valor de nota de compra. Se ainda fosse de venda. Ah! E dividir com Tyn obviamente”, diz o trecho destacado no documento.

E-mail incluído em documento do MPRJ, obtido pelo UOL

De acordo com a investigação, em curso desde 2018, há conversas por aplicativos de celulares que também deixariam clara a parceria no meio empresarial do delegado denunciado e Tyndaro Menezes. As conversas mencionam negócios com a Rede D’Or, com o ex-secretário de Saúde da gestão Sérgio Cabral (MDB), Sérgio Côrtes, preso e condenado por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas – e o cunhado de Côrtes, Sérgio Vianna.

Ao SBT News, Tyndaro Menezes negou as acusações. O jornalista confirmou que conhece o ex-delegado e o apresentou ao empresário que forneceria os insumos hospitalares, mas negou qualquer participação em atividades ilícitas. “A tentativa do empresário e do delegado de vender produtos hospitalares nunca foi concluída. Nenhuma empresa chegou a sequer ser aberta, portanto, eu não poderia ter recebido nenhuma comissão. Não negociei valores, percentuais ou coisa do tipo. Se cometi algum erro foi ético por ter apresentado o empresário ao delegado. Não sou acusado de nada ilícito ou ilegal”, disse.

A Globo confirmou a demissão do executivo, mas argumentou que não comenta questões de compliance da empresa. “O profissional citado não está mais na empresa. A Globo não comenta questões relacionadas a Compliance. Reitera que tem um Código de Ética, que deve ser seguido por todos os colaboradores, e uma ouvidoria pronta para receber quaisquer relatos de violação. Todo relato é apurado criteriosamente assim que a empresa toma conhecimento e as medidas necessárias são adotadas”, disse a emissora em nota.

 

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