Negociadores do Brasil veem data da retirada do tarifaço como sinal político de Trump; entenda

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Lula e Trump se encontram na Malásia. — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Negociadores brasileiros, especialmente do Itamaraty, avaliaram como sinalização política a data escolhida pelo governo Donald Trump para retirar a tarifa adicional de 40% que incidia sobre alguns produtos brasileiros.

A ordem executiva publicada na quinta-feira (20) pela Casa Branca informa que as tarifas deixaram de valer a partir de 13 de novembro — exatamente o dia da reunião, em Washington, entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Segundo integrantes da diplomacia brasileira, a coincidência temporal foi interpretada como um gesto diretamente ligado às negociações entre Lula e Trump.

“É resultado dos nossos esforços desde julho para reabrir canais com eles”, disse ao blog um negociador brasileiro do Itamaraty.

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Trump ainda não deu sinais de revogar sanções dos EUA contra autoridades brasileiras.

O que mudou com a ordem de Trump

Os EUA anunciaram hoje a retirada da tarifa extra de 40% sobre 249 produtos brasileiros, entre eles:

  • carne bovina,
  • café,
  • açaí,
  • cacau,
  • e diversos outros itens alimentícios.

A decisão adiciona esses produtos à lista de exceções do tarifaço aplicado contra o Brasil no início do ano.

Na prática:

  • os produtos que estavam sujeitos à sobretaxa de 40% retornam aos patamares anteriores ao tarifaço;
  • produtos que estavam sujeitos à sobretaxa de 10%, como o café, também voltam à tarifa regular de antes das medidas de Trump.

A regra vale para mercadorias que entraram nos EUA a partir de 13 de novembro, reforçando a leitura de que o governo americano quis associar a retirada à rodada de negociações com o Brasil.

Decisão é específica para o Brasil

Diferentemente da ordem executiva da semana passada — que reduziu tarifas de cerca de 200 produtos alimentícios para vários países — a decisão de hoje é exclusiva para o Brasil.

No texto publicado na quinta (20), Trump cita explicitamente sua conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de outubro:

“Em 6 de outubro de 2025, participei de uma conversa telefônica com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as preocupações identificadas no Decreto Executivo 14323. Essas negociações estão em andamento.”

Ele também afirma ter recebido recomendações internas para retirar a sobretaxa de parte dos produtos brasileiros em razão de “progresso inicial nas negociações com o governo do Brasil”.

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