Nikolas pediu ajuda a Vorcaro para liberar minério, e banqueiro afirmou bancar voos dele, diz site

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por Folhapress

Homem branco, com cabelos castanhos, lisos e curtos, veste camiseta amarela com verdes, remetendo às cores da bandeira do Brasil; Ele segura microfone e gesticula durante discurso em evento ao ar livre. Pessoas e câmeras ao redor capturam o momento.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) discursa em manifestação contra ministros do STF e governo Lula ao lado de Flávio Bolsonaro e Silas Malafaia – Allison Sales – 1.mar.26/Folhapress

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu que Daniel Vorcaro, do Banco Master, ajudasse seu ex-assessor de gabinete, Thiago Faria, e seu advogado a liberar “um ativo de minério”, segundo coluna da jornalista Juliana Dal Piva no ICL Notícias.

A reportagem procurou, na manhã desta quinta-feira (3), a defesa de Vorcaro, mas não teve resposta. Faria não foi localizado —ao ICL, ele negou irregularidades.

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Em vídeo publicado no seu perfil no Instagram na tarde desta quinta, Nikolas nega ter relação de proximidade com Vorcaro, qualificou as mensagens trocadas como “irrelevantes” e disse que a publicação dos áudios é uma “cortina de fumaça”. O deputado afirmou que seu advogado chegou a se encontrar com o ex-banqueiro, mas que as conversas foram encerradas após as revelações envolvendo o Banco Master.

“Eu nunca recebi um tostão de Vorcaro e nunca encontrei com ele”, disse o deputado.

O áudio obtido pelo ICL foi enviado em 30 de março de 2025, um domingo. Nele, o parlamentar chama o ex-banqueiro de “Dani” e afirma que gostaria de ter mais proximidade com Vorcaro, que respondeu com um áudio de visualização única. Na sequência, Nikolas agradece e envia o contato de Thiago Faria, e Vorcaro encerra afirmando: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”.

No dia seguinte, o deputado avisa a Vorcaro que Faria estaria à disposição em Brasília. O conjunto de mensagens não revela se o ex-banqueiro atendeu ao pedido do ex-assessor de Nikolas. Ainda na mensagem de voz, o parlamentar pede desculpas por publicações em que criticou um evento financiado pelo Banco Master em Londres.

“Troquei ideia lá com o pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem, eu falei: ‘Pastor, eu não fazia ideia que era este o banco do Dani etc. e tudo, se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente’, mas enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né?”, teria dito Nikolas ao então banqueiro. “Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão”, declarou ainda o deputado, de acordo com a reportagem.

No vídeo desta quinta, o deputado disse que recebeu o contato de Vorcaro a partir de André Valadão, pastor da Igreja Lagoinha, e que só chamou o banqueiro com um suposto apelido porque o contato enviado estava salvo com o nome “Dani Vorcaro”. Ele negou ter chamado o banqueiro de “lindão” e chegou a ironizar o termo num breve vídeo postado nos stories da rede social. Pelo áudio divulgado pelo ICL, não fica claro se Nikolas se despede de Vorcaro como “Dani” ou “lindão”. O veículo afirma que a transcrição oficial dos autos traz a palavra “lindão”.

Ele diz que a postagem citada foi feita no X, ex-Twitter, em abril de 2024. Na publicação, ele afirma que irá solicitar, via LAI (Lei de Acesso à Informação), se os gastos para a viagem de ministros e políticos foram arcados com dinheiro público.

Segundo Nikolas, na época, Valadão teria dito que Vorcaro não gostou da postagem.

Mensagens obtidas pela coluna também mostram que, em 2024, em conversa com o empresário Flávio Carneiro, Vorcaro afirma ter custeado voos de Nikolas, sem detalhar quantos e em qual período. “Esse Nikolas eu banquei todos os voos dele”, diz, ameaçando divulgar a informação.

Ao ICL, Faria justificou os contatos em razão de todos os envolvidos na história serem de Minas Gerais: “O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo.”

“Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, disse ao site.

Nesta quinta, o deputado afirmou que o ex-banqueiro colaborou com gastos de transporte para que ele participasse da campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Nordeste, durante as eleições de 2022, mas disse que não havia indícios de irregularidade da atuação de Vorcaro na época.

Essas mensagens se somam a uma enorme quantidade de conversas que veio a público nos últimos dias envolvendo Vorcaro e diversas autoridades brasileiras.

Documentos revelados pelo jornal Estado de São Paulo e também obtidos pela Folha colocaram o Supremo Tribunal Federal (STF) em uma das maiores crises de sua história ao mostrarem que o ex-banqueiro manteve conversas com o ministro Alexandre de Moraes para tratar da investigação do Master.

Os diálogos aconteceram inclusive no próprio dia em que Vorcaro foi preso. O conteúdo revela ainda que o dono do Master pediu encontros com o magistrado para tratar dos negócios que o tornaram alvo da apuração por fraude bancária bilionária —e que eles se encontraram pelo menos seis vezes.

As informações em poder da PF mostram também que Moraes fez edições no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Master, antes de o documento ser assinado. Procurado pela reportagem, o ministro não se manifestou.

Além de acirrar uma guerra interna no STF e de mobilizar a oposição pelo impeachment de Moraes, as revelações geraram reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado nas conversas. Ele pediu a anulação do relatório da PF e disse que Mendonça “se valeu da polícia” para “impor a investigação” de Moraes, exercendo “atividades que não lhe foram assinaladas”.

Mendonça solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, para que seja marcada sessão presencial do plenário do STF para debater as mensagens. Ele havia pedido que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestasse sobre o caso, no qual aparecem também mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor —as referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet.

Relator do caso no STF, Mendonça teve um encontro com Vorcaro em 2025, como mostrou o repórter Paulo Motoryn em sua página Noites Húngaras, e tem sido criticado por parte da PF que vê possível excesso na atuação do ministro.

Segundo o magistrado, a agenda não tratou de Moraes e ele se limitou a ouvir o que o ex-banqueiro tinha a dizer.

Outros documentos tratam de um contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e de uma segunda proposta, de R$ 50 milhões, que previa o pagamento com cotas de um jatinho e de um helicóptero.

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