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Padre italiano Nazareno Lanciotti, que foi assassinado no Brasil - Arquidiocese no Instagram

O padre Nazareno Lanciotti, que virou mártir no Brasil segundo os preceitos da Igreja Católica, foi proclamado beato pelo papa Francisco. É o passo que precede a santificação de alguém.

Lanciotti foi assassinado em 2001, quando era sacerdote no Mato Grosso. A imprensa registrou o crime na época: “Lanciotti, 61, levou um tiro no pescoço dentro da paróquia onde havia rezado uma missa, uma hora após a celebração”. Dois homens encapuzados lideraram a ação, segundo a polícia.

Ele chegou a ser transferido para São Paulo, onde ficou hospitalizado por mais de uma semana, mas acabou morrendo.

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Lanciotti começou sua trajetória missionária no Brasil no começo dos anos 1970. Passou décadas em Jauru (MT), onde hoje é nome de avenida. Tornou-se localmente conhecido por fazer denúncias contra tráfico de drogas, exploração de menores e esquemas de prostituição.

Ao confrontar “interesses escusos”, segundo a Arquidiocese de Cuiabá (MT), tornou-se “alvo de perseguições e intimidações”. Lanciotti fundou na região a Paróquia Nossa Senhora do Pilar e criou 57 comunidades eclesiais, além de escolas e centros comunitários de saúde.

“Ele é um padre bastante conhecido no campo da Igreja católica, fez várias atividades no Mato Grosso”, diz o antropólogo Rodrigo Toniol, da UFRJ.

A investigação sobre seu assassinato nunca foi conclusiva, acrescenta o docente. Viu-se nos anos 2000 “um paralelo com o que aconteceu com a irmã Dorothy, que fazia denúncias sobre crimes no Brasil rural e virou vítima dos grileiros”. Ela morreu em 2005.

Para Toniol, a beatificação de Lanciotti mostra como “a capilaridade da Igreja Católica faz com que ela ainda esteja bastante presente em várias dessas regiões, numa tentativa de ser guarda da comunidade”.

O papa Francisco, com esse gesto anunciado na segunda-feira (14), põe em evidência “uma pessoa que está olhando para o interior da América do Sul, e isso não deixa de ser um aceno à Igreja, à produção de santos e santas”, afirma o antropólogo. “Esse reconhecimento é também um aceno político.”

No mesmo dia, o pontífice reconheceu as “virtudes heroicas” do arquiteto modernista catalão Antoni Gaudí (1852-1926), responsável pela igreja Sagrada Família, em Barcelona. É a etapa inicial para tornar uma pessoa santa, anterior à beatificação.

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