Papa Leão 14 se reunirá com vítimas de abusos da Igreja em viagem à América do Sul

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por Folhapress

Homem vestido com vestes brancas religiosas acena com a mão direita levantada enquanto está atrás de um púlpito transparente com microfone à sua frente. Fundo preto destaca a figura central.
O papa Leão 14 acena de uma janela do Palácio Apostólico, no Vaticano – Vincenzo Livieri – 25.out.26/Reuters

O papa Leão 14 se reunirá com vítimas de abusos cometidos por membros do clero e outros integrantes da Igreja Católica durante sua viagem à América do Sul no próximo mês, informou o Vaticano nesta terça-feira (27).

“Haverá reuniões com pessoas que foram vítimas de abusos por membros do clero e da Igreja” durante a viagem do sumo pontífice, que o levará ao Uruguai, à Argentina e ao Peru de 6 a 17 de novembro, explicou o Vaticano em um comunicado.

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“Esses encontros refletem o desejo do papa de expressar sua proximidade com aqueles que sofreram —e continuam sofrendo— em decorrência dessa violência.”

O Vaticano não especificou onde nem com quem serão realizadas essas reuniões, nas quais o papa pretende “trabalhar com [as vítimas] para desenvolver caminhos de cura e garantir que a Igreja continue sendo um espaço seguro e espiritualmente saudável”.

Esta será a primeira viagem do sumo pontífice desde seu diagnóstico de câncer de pulmão e a cirurgia a que ele foi submetido. Segundo o ministro das Relações Exteriores do Vaticano, isso é um “divisor de águas” para como os católicos veem sua saúde e seu pontificado.

“Isso muda completamente o cenário”, disse o arcebispo Paul Gallagher a jornalistas durante um evento em Roma nesta terça-feira.

Gallagher disse que, devido à idade relativamente baixa de Leão para um papa e ao seu bom condicionamento físico, alguns católicos o consideravam um papa “Super-Homem”.

“A doença revelou que Leão é um pobre mortal como todos nós”, afirmou o arcebispo.

Em abril, a Santa Sé anunciou que pretendia indenizar as vítimas de um movimento católico sediado no Peru que foi dissolvido no ano passado, após revelações de abusos sexuais e psicológicos cometidos por alguns de seus dirigentes.

A igreja iniciou os trâmites para o pagamento, que não sairá dos cofres do Vaticano, mas dos bens confiscados do grupo após sua dissolução.

O antecessor de Leão 14, o papa Francisco, ordenou o encerramento desse grupo ultraconservador, o Sodalício de Vida Cristã (Sodalitium Christianae Vitae), uma semana antes de morrer, em 2025, após uma investigação de sete anos conduzida pelo Vaticano.

Além da indenização, representantes da Santa Sé e lideranças locais realizaram atos públicos em maio de 2026, onde pediram perdão de joelhos às comunidades afetadas pela organização, como por exemplo os camponeses que tiveram terras expropriadas pelo Sodalício.

Antes do fim decretado por Francisco, o próprio Sodalício reconheceu formalmente ao menos 83 vítimas de seus crimes, e desembolsou cerca de U$ 5,3 milhões (R$ 28,3 milhões) em reparações parciais.

Homem de costas segura quadro grande com foto do Papa Francisco e um bispo sorrindo, em ambiente interno com janela e cortinas ao fundo.
Um homem pendura uma foto do falecido Papa Francisco e o então cardeal Robert Prevost, hoje o papa Leão 14, no arquiepiscopado de Chiclayo, no norte do Peru – Ernesto Benavides – 9.mai.25/AFP

No mês passado, durante uma visita à França, o papa também se reuniu com vítimas de abusos sexuais dentro da Igreja e prometeu trabalhar para evitar casos semelhantes.

Durante seu pontificado, o papa Francisco implementou várias medidas para enfrentar os abusos dentro da Igreja, que provocaram um escândalo de alcance mundial desde o papado anterior, de Bento 16 —que renunciou em 2013 alegando motivos de saúde e falta de forças para exercer o cargo.

Com AFP e Reuters

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