Parceiro do SBT na Copa acusa TV de não repassar receitas e pede R$ 40 milhões na Justiça

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por coluna outro canal, Folhapress

Galvão Bueno com a camisa da N Sports, parceiro do SBT na transmissão da Copa do Mundo – Divulgação/N Sports

Parceiro do SBT na transmissão da Copa do Mundo em junho e julho, a N Sports acionou a emissora da família Abravanel na Justiça. A empresa diz que não recebeu os repasses das vendas de patrocínios do Mundial de seleções, estimados em R$ 40 milhões.

O processo corre na Justiça de São Paulo. Procurados desde a última sexta (11) por telefone, o SBT não se pronunciou e a N Sports alega que deseja apenas resguardar seus direitos. Além da Copa, os canais exibem conjuntamente o Galvão F.C., programa de debates semanal comandado por Galvão Bueno nas noites de segunda. A coluna apurou que o SBT ainda não foi notificado do caso.

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Na ação, a N Sports diz que o acordo com o SBT previa o repasse de 26% das receitas obtidas com o torneio. O SBT teria direito a 74% dos valores. Como o SBT realizou todas as vendas, a N Sports entende que a TV da família Abravanel reteve a quantia devida. A ação foi informada inicialmente pela jornalista Kelly Miyashiro e confirmada pela coluna.

O SBT diz a N Sports que alguns patrocinadores tinham históricos de descontos na casa e pagaram quantias menores, algo normal no mercado. Além disso, a emissora aberta alega que já havia feito um acordo para evitar litígios e que pagou toda a operação da Copa do Mundo, incluindo custos que envolviam a N Sports.

Em um documento anexado ao processo pela N Sports, o SBT reconhece que havia repasses a fazer de R$ 17 milhões e fez um acordo para pagar a quantia de forma parcelada. A N Sports, então, fez um empréstimo junto a um fundo financeiro para antecipar a verba e ter fluxo de caixa.

No entanto, a N Sports diz que a parcela que deveria ter sido quitada no dia 10 de setembro não foi paga, o que configura quebra de contrato na sua visão. O canal esportivo pede a retenção de R$ 40 milhões nas contas do Grupo Silvio Santos em caráter liminar. A Justiça de São Paulo ainda não julgou o caso.

Atraso de salário

Em agosto, a N Sports tentou ter acesso aos contratos de publicidade do SBT na Copa do Mundo notificando agências que representam marcas. Nenhuma respondeu ao canal, com a alegação de cláusula de confidencialidade nos negócios.

A N Sports também diz que pagou uma parcela de 2025 dos direitos da Copa do Mundo sem aporte do SBT na época, porque o Grupo Silvio Santos enfrentava problemas de fluxo de caixa. O SBT, porém, pagou esta dívida em janeiro e finalizou o contrato com a Fifa, de R$ 134 milhões, sem apoio da N Sports.

A crise financeira na N Sports ocorre desde o início do ano, bem antes de problemas com o SBT. Na última semana, a N Sports enviou uma carta para funcionários e colaboradores dizendo que estava sem dinheiro e que iria atrasar salários.

As queixas por falta de pagamentos no canal ocorrem desde abril. Profissionais freelancers que trabalharam em produtos do canal em fevereiro, como em transmissões de torneios estaduais, não receberam até hoje pelas suas participações.

Outros contratados de forma fixa também passaram a ter dificuldade para receber. Até mesmo profissionais próximos de Galvão Bueno, como executivos e parentes que prestaram serviços na Copa do Mundo, não receberam pagamentos pelos seus trabalhos na N Sports.

Somente pela operação de pessoas próximas a Galvão durante a Copa do Mundo, a N Sports está com um débito de R$ 275 mil. Um deles é Cacá Bueno, filho do narrador, que fez toda a gestão de marketing durante o torneio.

Veja a nota completa da N Sports sobre o caso:

“A N Sports vem buscando, há algum tempo, uma solução consensual com o SBT para questões relacionadas ao cumprimento das obrigações previstas no contrato firmado para a cobertura da Copa do Mundo de 2026. Após as tratativas e medidas adotadas pela via administrativa, sem que houvesse cumprimento do acordado, a empresa recorreu ao Judiciário para resguardar seus direitos.

A ação é pública e foi ajuizada em 11 de setembro, após o SBT não ter pago parte da dívida que já havia se comprometido. A partir da disponibilização das informações nos autos, o tema passou a ser noticiado pela imprensa.

A N Sports busca exclusivamente uma solução para a questão e permanece aberta ao diálogo e à negociação, mesmo com o processo em andamento. Os valores apurados estão consideravelmente divergentes do reportado pelo SBT. A cobrança é referente às receitas comerciais que a empresa entende serem devidas no âmbito do projeto conjunto da Copa do Mundo.

Trata-se de uma questão estritamente contratual e administrativa entre N Sports e SBT, que não interfere no sucesso da parceria. A cobertura de 32 jogos nas TVs aberta e por assinatura, com mais de uma dezena de patrocinadores, além de anunciantes avulsos, foi indiscutivelmente um sucesso de audiência e repercussão.

A N Sports permanece à disposição dos veículos de imprensa para eventuais esclarecimentos”.

Galvão Bueno discorda de processo contra SBT e rompe com TV esportiva em que é sócio

Galvão Bueno deixará de ser sócio da N Sports, TV esportiva que foi parceira do SBT na transmissão da Copa do Mundo. Ele discordou de uma ação judicial do canal contra a emissora da família Abravanel por lucros não repassados da Copa do Mundo. A N Sports pede bloqueio de R$ 40 milhões das contas do SBT.

O narrador enviou uma carta para as filhas de Silvio Santos (1930-2024) e para a diretoria do SBT. A coluna obteve acesso ao documento. Nela, Galvão diz que reconhece os problemas, mas que sempre defendeu uma solução pacífica.

“Já comuniquei aos sócios que, se a divergência com o SBT seguir para o litígio, vou abrir mão dessa integralização e encerrar minha parceria com a N Sports”, disse o apresentador em documento enviado no último dia 2, nove dias antes da N Sports entrar com o processo. Naquela ocasião, apenas ameaças haviam sido enviadas.

“Tenho ressalvas sobre decisões estratégicas e financeiras da empresa, mas minha principal discordância está na forma escolhida para tratar os resultados comerciais da Copa do Mundo com o SBT. Para mim, divergências entre parceiros se resolvem com diálogo e negociação — não na Justiça”, afirma o apresentador.

Galvão Bueno diz que a N Sports ficou conhecida no mercado como a “TV do Galvão” e que as informações sobre o processo que sairiam assim não compactuvam com o que ele tem dito para o SBT.

“Para o público e grande parte do mercado, a NSports é ‘a TV do Galvão’. Não aceito que, depois do que construímos na Copa do Mundo, fique a imagem de que ‘a TV do Galvão’ está processando o SBT. Isso não representa minha posição nem a maneira como construí minha carreira”, disse.

Veja a carta de Galvão ao SBT na íntegra:

“Ao SBT – Sistema Brasileiro de Televisão

Prezados,

Quero, antes de tudo, agradecer pela forma como fui recebido e acolhido pelo SBT, pelo carinho e pelo respeito que sempre encontrei nesta casa. Agradeço também a todos pelo enorme sucesso da Copa do Mundo.

Fui apenas uma parte de uma grande engrenagem, que trabalhou unida, com dedicação e competência. Um agradecimento especial à família Abravanel, que me recebeu de braços abertos e me fez sentir em casa e em família.

Por tudo isso, reitero o que já disse outras vezes: por mim, meu futuro profissional segue de mãos dadas com o SBT. É justamente pelo respeito que tenho por esta casa que quero deixar clara minha posição diante dos acontecimentos recentes envolvendo a NSports e o SBT.

Chegamos ao momento em que o MOU (memorando de entendimento) que tenho com a NSports deve se transformar na integralização da minha participação na empresa.

Já comuniquei aos sócios que, se a divergência com o SBT seguir para o litígio, vou abrir mão dessa integralização e encerrar minha parceria com a NSports.

Tenho ressalvas sobre decisões estratégicas e financeiras da empresa, mas minha principal discordância está na forma escolhida para tratar os resultados comerciais da Copa do Mundo com o SBT. Para mim, divergências entre parceiros se resolvem com diálogo e negociação — não na Justiça.

Foi assim que conduzi meus 52 anos de carreira. Jamais deixei um veículo de comunicação e depois o processei. Nunca aconteceu e não vai acontecer agora, especialmente depois dos resultados que construímos juntos na Copa do Mundo.

Também fui pego de surpresa ao saber que uma medida havia sido apresentada enquanto ainda aconteciam conversas entre os executivos das empresas. Conversas que incentivei, pedindo à minha equipe que buscasse uma rodada de negociação com o SBT para encontrar uma solução.

Sei que esse primeiro movimento é apresentado não como litígio, mas como um pedido de confirmação de informações. Ainda assim, preocupa-me que esse caminho tenha sido adotado enquanto uma negociação estava em curso.

Também fui contrário às notificações extrajudiciais dirigidas ao SBT, às agências e aos clientes. Não concordo, não compactuo e não quero fazer parte desse tipo de prática.

Para o público e grande parte do mercado, a NSports é “a TV do Galvão”. Não aceito que, depois do que construímos na Copa do Mundo, fique a imagem de que “a TV do Galvão” está processando o SBT.

Isso não representa minha posição nem a maneira como construí minha carreira. Espero que prevaleçam o diálogo e o entendimento e que possamos seguir construindo juntos os próximos capítulos dessa história.

Com carinho e respeito,

Galvão Bueno”

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