Pequeno grande milagre: bebê nasce após cirurgia ainda no útero da mãe

0
image(28)

O pequeno Ragnar. Foto: Gustavo Moreno/Metrópoles

Por Thalita Vasconcelos e Samara Schwingel

Este mês, a jornalista Polyana Resende Brant e o servidor público Tiago Resende Brant, ambos com 38 anos, presenciaram o que pode se aproximar de um milagre. O nascimento de Ragnar, filho do casal, foi carregado de emoção. Antes de vir ao mundo, o bebê precisou passar por cirurgia inédita, ainda dentro do útero da mãe, em um procedimento considerado de alto risco. O caso aconteceu no Distrito Federal, onde a família mora.

No sexto mês de gestação, Ragnar foi diagnosticado com quadro grave de hidropsia — condição que desencadeia derrames pleurais, abdominais, subcutâneos, intracranianos e testiculares — e sequestro pulmonar, em que um tumor na caixa torácica estava sendo irrigado por uma aorta e chegou a pressionar o esôfago. Toda essa situação leva a óbito fetal, caso não haja intervenção cirúrgica de caráter urgente.

Com o diagnóstico, Polyana e Tiago começaram a buscar tratamento. “Descobrimos esse tumor – que estava sendo irrigado por vários vasos –, e um exame apontou que ele começou a crescer. A gente tentou uma terapia alternativa, com corticoide, e o tumor chegou a reduzir, mas semanas depois tornou a crescer. E o bebê começou a inchar”, relata a jornalista.

“Cheguei a ligar para uma equipe de São Paulo, e eles confirmaram que seria necessária uma cirurgia. Procuramos até encontrar a Danielle Brasil [especialista em cirurgia fetal], que atua no Hospital Santa Lúcia, aqui em Brasília. A gente sentiu que era ela. Ela tinha muita certeza do que estava falando”, lembra Polyana.

ecografia de bebê
A segunda ecografia feita pelo casal apontou as condições de Ragnar

ecografia de bebê

ecografia de bebê

Em 22 de março, com a piora acentuada nos quadros do bebê e da mãe, a paciente deu entrada no pronto-socorro do Santa Lúcia, por volta das 9h30. A cirurgia queimaria apenas o vaso que estava nutrindo o tumor. A gravidez já durava sete meses.

“O prognóstico era o pior possível. Se não tivesse intervenção cirúrgica, seria óbito fetal. Eu fiquei acordada durante o procedimento, o tempo inteiro sorrindo. Estava muito feliz. Confiante e feliz de ter a oportunidade de salvar a vida do nosso filho.”

Segunda cirurgia

Depois do procedimento, o tumor reduziu. Porém, após uma semana, tornou a crescer. Polyana e Tiago, juntamente com as médicas, optaram por realizar nova cirurgia, essa inédita, e, desta vez, para queimar o tumor inteiro.

Foram quase quatro horas de operação, sem anestesia. Polyana já estava com oito meses de gestação. “Seria a última chance de salvar o neném. Mas foi gratificante, porque funcionou”, conta a mãe.

“As coisas foram acontecendo de uma maneira muito divina, muito mágica, milagrosa. A prova do milagre é que o neném não tem nenhuma cicatriz. Esse milagre foi completo. Ele tem nome de guerreiro não é à toa. Antes mesmo de nascer, ele enfrentou duas batalhas e venceu as duas”, completa.

Ragnar nasceu depois de passar por duas cirurgias dentro do útero da mãe

Cirurgiã especialista em cirurgia fetal, responsável pelo caso de Polyana, Danielle Brasil, comenta que o caso de Ragnar era grave e que a família toda foi guerreira.

“Conheci a Polyana na minha clínica, de cara vi a gravidade do caso. A melhor chance era cirurgia fetal. Não é fácil. Amadurecemos a ideia, e os pais foram para a guerra com a gente. Ela [Polyana] queria me ver todo dia. Foi uma gravidez difícil, mas eles são muito guerreiros”, afirma a médica.

Em 18 de maio deste ano, Ragnar nasceu de cesárea, com 3,2 kg e 49 centímetros. Hoje, os pais aproveitam a alegria ao lado primeiro filho. “Ele tem essa sede de viver”, comemora Polyana.

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...