‘Precisamos de muito mais do que dinheiro’, afirma María Corina após acordo de Caracas com Washington

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por AFP

Mulher de cabelos castanhos escuros e lisos, usando blazer cinza claro e colar dourado, fala em púlpito com microfone diante de fundo azul.
A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, discursa durante uma conferência no Texas – Ronaldo Schemidt – 24.mar.26 /AFP

A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, afirmou nesta quinta-feira (3) que a Venezuela “precisa de muito mais do que dinheiro”, após o acordo petrolífero sem precedentes firmado entre os Estados Unidos e o regime interino de Delcy Rodríguez.

Em um vídeo gravado no exílio e publicado no X, María Corina disse que “o setor petrolífero é apenas uma parte da imensa reconstrução” da Venezuela, que “exige investimentos colossais”.

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“Em um país com as dimensões e a fragilidade institucional da Venezuela, nenhum setor poderá funcionar de forma isolada”, afirmou Machado, que deixou Caracas de forma clandestina em dezembro para receber o Prêmio Nobel da Paz e que, atualmente, vive no Panamá.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na semana passada a assinatura de um acordo histórico com Caracas, que concede a seu país 20% das gigantescas reservas de petróleo venezuelanas.

O acordo dá à Casa Branca o controle de 65 bilhões de barris de petróleo bruto em 17 campos localizados em diferentes regiões do país.

“Tudo isso confere à Venezuela um valor estratégico extraordinário, tanto para a segurança nacional dos EUA quanto para a estabilidade do hemisfério. Mas o patrimônio do nosso solo não pertence a um regime ilegítimo, pertence ao povo venezuelano”, disse María Corina.

Após a assinatura de acordos com multinacionais petrolíferas como Chevron e Eni, na quarta-feira (2), em Caracas, Trump e Delcy concordaram que o país não está pronto para realizar eleições.

A mensagem da líder opositora foi divulgada oito meses após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro, em uma operação militar americana.

María Corina defendeu a aliança com Washington, mas afirmou que o país deve trabalhar “sob os princípios inegociáveis de transparência absoluta, legalidade e eficiência”.

Isso, ressaltou, “só é possível com a legitimidade e a estabilidade oferecidas por um governo sério e democrático”.

A oposição e observadores independentes afirmam que houve fraude eleitoral de Maduro nas últimas eleições presidenciais, em 2024, e reivindicam a vitória de Edmundo González, candidato apoiado por María Corina. A líder opositora foi inabilitada politicamente e não pôde concorrer naquela ocasião.

Em agosto, teve início um diálogo político entre o regime chavista e parte da oposição com vistas a uma transição democrática, mas María Corina não foi convidada.

A líder promete voltar à Venezuela, mas especialistas afirmam que Washington não vê seu retorno com bons olhos.

“Sei o que vocês estão sentindo: tristeza, raiva e esse mal-estar tão recorrente em nossa história, provocado pelo fato de alguém decidir sobre o que é nosso, em nosso nome, sem nos levar em conta”, afirmou María Corina em sua mensagem, ao destacar a “profunda preocupação com as implicações que isso tem” para o futuro da Venezuela.

A Venezuela possui as maiores reservas certificadas de hidrocarbonetos do mundo, com mais de 300 bilhões de barris. Sua produção, porém, continua muito limitada após décadas de investimentos insuficientes, sanções e corrupção.

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