Prejuízo dos Correios quase dobra e vai a R$ 3,2 bi no 1º trimestre de 2026

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Fachada de agência dos Correios em São Paulo; empresa está em processo de reestruturação - Rafaela Araújo - 29.dez.25/Folhapress

por Folha de S.Paulo

Os Correios tiveram um prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo demonstrações financeiras divulgadas pela empresa estatal. O rombo é quase o dobro do observado em igual período do ano passado, quando o resultado ficou negativo em R$ 1,7 bilhão.

Em processo de reestruturação, a companhia registrou queda em suas receitas, mas também conseguiu reduzir custos operacionais.

O resultado também foi influenciado pelo reconhecimento de uma dívida potencial de R$ 1,06 bilhão decorrente de ações trabalhistas. O impacto havia sido retirado do balanço pela administração anterior da empresa, gerando questionamentos internos e também de órgãos de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União).

O rombo vem após os Correios acumularem um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, o pior desempenho já registrado pela empresa, que está com as contas no vermelho desde 2022.

Sob novo comando desde o fim de setembro de 2025, quando o presidente Emmanoel Rondon assumiu a presidência dos Correios, a companhia obteve no ano passado um empréstimo de R$ 12 bilhões com aval da União (que honrará os pagamentos em caso de inadimplência) para tentar regularizar passivos e bancar seu plano de reestruturação, cujo objetivo principal é tornar a empresa sustentável financeiramente no futuro.

O processo de regularização das dívidas acumuladas em períodos anteriores contribui para piorar o resultado da empresa. As receitas, por sua vez, ainda não exibiram a melhora esperada pelo comando da companhia.

Segundo o balanço, a receita bruta de vendas e serviços somou R$ 4,04 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda nominal de 2,2% em relação ao observado de janeiro a março de 2025 (R$ 4,13 bilhões). A receita líquida, após dedução de impostos e descontos, seguiu a mesma tendência.

Na análise por segmento, houve recuo nominal em duas das principais fontes de receitas dos Correios: encomendas (queda de 5,5%, para R$ 2,2 bilhões) e postagens internacionais (redução de 60,3%, para R$ 156 milhões). No segmento de mensagens (que inclui envio de cartas e documentos), houve alta de 11,4%, para R$ 1,2 bilhão. Já o segmento de outras receitas apresentou crescimento de 48%, para R$ 465 milhões.

Os custos dos produtos vendidos e dos serviços prestados tiveram uma queda nominal de 7,6%, passando de R$ 4,01 bilhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 3,7 bilhões em igual período deste ano.

A conta inclui as despesas com pessoal, que tiveram um recuo de 4,1% na mesma comparação (de R$ 2,8 bilhões para R$ 2,7 bilhões), mesmo com o reajuste de 5,1% nos salários acordado com a categoria no ano passado. Segundo a companhia, o PDV (programa de demissão voluntária) implementado em 2024 contribuiu para a redução dos gastos.

Por outro lado, os Correios registraram um aumento significativo nas despesas gerais e administrativas, que incluem provisões para perdas judiciais.

A empresa relatou ter revisado a classificação de ações trabalhistas, o que resultou em acréscimo de R$ 1,06 bilhão nessa conta. A fatura total relacionada a processos subiu de R$ 3,6 bilhões no fim de 2025 para R$ 4,66 bilhões em março deste ano.

“O aumento […] deve-se à reavaliação dos processos judiciais decorrente da evolução de seus andamentos e da atualização dos entendimentos jurisprudenciais, bem como de ajustes na classificação dos riscos e da atualização das estimativas de desembolsos futuros. Esses fatores influenciam o valor provisionado e a composição das contingências por natureza e nível risco dos processos”, diz o balanço.

A inclusão foi feita após uma polêmica em torno do tema. A gestão anterior, de Fabiano Silva dos Santos, revisou o balanço da empresa de 2022 (referente ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro) para incluir uma provisão de R$ 1 bilhão para pagar indenizações judiciais a funcionários, mas não contemplou o mesmo valor nas demonstrações de 2023, sob a justificativa de que a estatal havia obtido uma vitória no curso da ação.

Tanto o TCU quanto a CGU (Controladoria-Geral da União) contestaram a avaliação dos Correios e recomendaram que a provisão fosse incorporada novamente às demonstrações financeiras. Desde o fim de 2025, técnicos alertam internamente para a necessidade do ajuste, que foi feito só agora, no primeiro trimestre de 2026.

No balanço, a empresa observou também um avanço nas despesas financeiras, que passaram de R$ 283 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 985 milhões de janeiro a março de 2026.

A estatal ainda teve um aumento expressivo nas indenizações pagas a seus clientes devido a objetos entregues fora do prazo. Em março de 2026, o valor saltou a R$ 30,5 milhões, 15 vezes o observado em igual período do ano passado (R$ 2 milhões).

No fim do ano passado, período de pico em função do Natal, os Correios acumularam reclamações de entregas fora do prazo devido à greve dos funcionários.

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