Presidente do PT ameaça punir quem omitir Lula e majoritários em material de campanha

O presidente do PT, Edinho Silva, cobrou, na noite de sexta-feira (18), a inclusão do nome do presidente Lula (PT) e de candidatos majoritários apoiados pelo partido no material de campanha distribuído pelos petistas que concorrem a deputado nessas eleições.
Ele ameaça exigir a devolução de dinheiro do fundo eleitoral, em caso de descumprimento da orientação partidária. A cobrança se dá em meio à troca de acusações de infidelidade em grupos de conversas compostos por petistas, nos quais são reproduzidos materiais de campanha sem o nome de candidatos a governos estaduais, Senado e, em alguns casos, até do próprio presidente.
Como exemplo, Edinho teria publicado, no grupo da Executiva Nacional do PT, a “colinha” de candidatos do partido sem a menção do nome do presidente.
Em mensagem encaminhada a petistas na noite desta sexta, ele citou dificuldade de construção de unidade partidária.
“Não há nada mais importante que a eleição do presidente Lula. Nós não termos essa clareza na confecção dos materiais que nós vamos divulgar, portanto, que nós vamos fazer a disputa política na sociedade, é muito ruim”, afirmou em áudio.
A mensagem do presidente do PT foi distribuída a petistas na noite de sexta, após a Executiva Nacional aprovar uma resolução com orientação para que candidaturas proporcionais em todo o país reforcem, em seus materiais e ações de campanha, “a presença do presidente Lula e das candidaturas majoritárias apoiadas pelo partido em cada estado, especialmente as candidaturas aos governos estaduais e ao Senado Federal”.
Segundo a decisão, “é importante ampliar a presença do presidente Lula e das candidaturas majoritárias nos diferentes instrumentos de comunicação utilizados pelas campanhas proporcionais, respeitando as especificidades e estratégias de cada candidatura”.
“Essa orientação deve ser considerada na produção de novos materiais e, quando houver possibilidade, na atualização dos materiais já existentes, contemplando peças impressas e digitais, materiais de rua, windbanners, bandeiras, panfletos, adesivos, conteúdos para redes sociais, materiais utilizados em agendas, plenárias, caminhadas e demais ações de campanha”, diz.
Para ratificar a medida, Edinho divulgou o áudio, afirmando que “não há como ter unidade partidária se nós não expressamos nos materiais aquilo que nós aprovamos coletivamente”.
Na mensagem, Edinho reconhece que a medida tomada pela executiva “demonstra a dificuldade para a construção da nossa unidade”. “O ideal é que ela não existisse, mas já que existe a necessidade, foi importante essa medida. A partir dessa aprovação, se a nossa militância informar a direção do PT sobre a existência de materiais que não traduzam a nossa tática eleitoral, eu penso que nós temos, e é isso que eu estou defendendo, que a gente encaminhe ações por infidelidade partidária, pedindo a devolução do Fundo Eleitoral”, disse Edinho.
A resolução da Executiva foi aprovada por 20 votos a favor e a abstenção de um deputado que não apoia o candidato do PT em seu estado. A deliberação causou debate em grupos de conversas de petistas, que postavam fotos de material de campanha sem a indicação de voto em Lula, ou em outros candidatos majoritários, no modelo de cédula de votação, a chamada colinha.
Procurado, Edinho ainda não se manifestou.


