Programa de Bolsonaro para um segundo governo é pura fraude

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Jair Bolsonaro. Foto: Igo Estrela/Metrópoles

Por Ricardo Noblat

Bolsonaro se elegeu presidente em 2018 sem dispor de um programa de governo, governou erraticamente desde então sem dispor de um, e agora, a oito meses das próximas eleições, providencia um programa de governo para chamar de seu.

É fraude para enganar os que ainda creem nele, ou para atrair de volta os que deixaram de crer e migraram para outros candidatos. O mais interessante é que o esboço do programa de governo que ele jamais teve está na contramão do que ele fez até aqui.

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Chamar um documento de programa de governo virou coisa antiga. Esse que os técnicos começaram a esboçar está sendo modernamente chamado de “agenda estratégica”. Ela terá a função de orientar a administração pública direta.

Como o papel aceita tudo e o governante não é obrigado a fazer o que prometeu, entre as diretrizes para a área econômica de um segundo mandato de Bolsonaro está a de “promover uma reforma tributária que favoreça o desenvolvimento econômico”.

Inspirado por Paulo Guedes, ministro da Economia, Bolsonaro, que não entende disso, havia se comprometido em promover uma reforma tributária. Não fez nada parecido. Jogará a culpa na pandemia da Covid-19 e no Congresso. Fácil assim.

Consta da tal “agenda estratégica”limitar a interferência do Estado nas relações privadas, e incentivar os investidores”. Foi com frases feitas de tal natureza que Bolsonaro ganhou o voto do chamado mercado, que mais tarde se decepcionaria com ele.

O presidente que assumiu o cargo garantindo por meio de Guedes que reduziria o endividamento público e que mandou às favas a Lei de Responsabilidade Fiscal, jura que caso vença reduzirá o endividamento público. Como? Por que acreditar que o fará?

Há dias, Bolsonaro autorizou seus aliados no Congresso a apresentarem uma Proposta de Emenda à Constituição para abrir mão de impostos sobre o preço dos combustíveis sem compensação orçamentária, o que pode custar 54 bilhões de reais.

O capítulo mais bizarro da “agenda estratégica” é, de longe, o relativo ao meio ambiente. O desmatamento da Amazônia cresceu 56% em 3 anos se comparado com o período de 2016 a 2018. Bolsonaro assegura que se ficar mais 4 anos fará o inverso.

Em seu discurso de posse, Bolsonaro afirmou que governaria para todos os brasileiros, mas preferencialmente governou para os brasileiros que se identificam com ele. De cada 10 que lhe deram o voto, 4 já desertaram, segundo pesquisa Datafolha.

Mais de 60% dos brasileiros dizem que não confiam na palavra do presidente. É por essas e outras que Bolsonaro é o candidato favorito para ser derrotado.

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