Renan Santos mira ataques a Flávio em evento do Missão e defende ‘matar quem roubar’

O empresário Renan Santos foi apresentado neste sábado (1º) pelo partido Missão como candidato à Presidência da República com ataques ao presidente Lula (PT) e principalmente ao senador Flávio Bolsonaro (PL), chamando ambos de “vagabundos” e dizendo que os rivais “têm que ir para a lata de lixo da história”.
O presidenciável adotou xingamentos com um discurso radical de direita, dizendo que “nós vamos matar quem roubar”. Disse não ser uma terceira via, chamou Flávio de “farsante, fraco e corrompido”, mencionou “ratos que se vestem de verde e amarelo” e se referiu a Lula como “maldito”.
Criado em 2025 por membros ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre), o Missão já havia realizado convenção de forma antecipada no dia 20, para garantir a proteção da Polícia Federal após Renan ter recebido ameaças de duas facções criminosas do Ceará, mas fez neste sábado um evento simbólico na zona leste de São Paulo com apresentação de programa de governo em seu primeiro congresso nacional.
Renan Santos aparece com 3% das intenções de voto na pesquisa Datafolha de julho.
Em um evento marcado por atraso de cerca de 30 minutos, decorrente de protocolos de segurança, plateia predominantemente mais jovem e apoiadores vestindo camisetas com a frase “prendeu, matou”, a legenda buscou se consolidar como uma alternativa de direita à polarização política, combinando propostas de ajuste fiscal rigoroso com um “choque de lei e ordem” contra o crime organizado.
Realizado no Komplexo Tempo, na Mooca, o encontro teve, além do discurso de Renan, a apresentação do vice da chapa, tenente-coronel da reserva Aroldo Medina, a indicação de nomes para governos estaduais e um painel sobre desfavelização.
Durante o congresso, o partido apresentou o “Livro Amarelo”, documento de mais de 500 páginas que reúne o programa de governo para 2026, dividido nas seções “Estado Novo”, “Reformas de Base” e “País do Futuro”.
A estruturação do material contou com o apoio de Orlando Lima, que também deverá auxiliar na criação do futuro Instituto do Livro Amarelo.
Segundo os organizadores, a obra demandou mais de dois anos de pesquisas e teve a colaboração de reitores e professores universitários, que apoiaram o projeto de forma anônima.
Na área econômica, o documento defende um ajuste fiscal classificado como um “remédio amargo”. As propostas incluem uma PEC de transição para desindexar benefícios previdenciários e assistenciais do salário mínimo e a desvinculação dos pisos constitucionais de saúde e educação, estimando uma economia de R$ 1,1 trilhão até 2031.
Na segurança pública —área que motivou o uso de camisetas “prendeu, matou” por parte da militância—, o programa sugere a adoção do “Direito Penal do Inimigo”. Ele propõe a criação de superpresídios para lideranças criminosas e o confisco de bens de integrantes de facções como o PCC e o Comando Vermelho.
O plano abrange ainda a “Grande Consolidação Municipal”, propondo fundir municípios financeiramente inviáveis para reduzir o total nacional de 5.570 para cerca de 1.656 cidades.
O deputado Kim Kataguiri detalhou parte das propostas sociais e administrativas, defendendo mudanças radicais no acesso a programas federais.
Segundo o parlamentar, o pagamento de auxílios será condicionado à aceitação de postos de trabalho.
“A porta de entrada do Bolsa Família vai mudar, porque vai ter emprego. Nós vamos chegar para o cidadão saudável, com capacidade de trabalho, e falar: ‘você quer receber o quinto pulso do Bolsa Família trabalhando? Sim, ótimo, nós temos esse emprego para você. Não? Então nem o Bolsa Família você vai receber'”, discursou Kataguiri.
O deputado propôs a criação da “Lei de Responsabilidade Gerencial”, regra que tornaria inelegíveis prefeitos que não atingirem metas básicas de saneamento, saúde e educação. Ele criticou o pacto federativo, afirmando que gestões ineficientes ganham mais dinheiro, e propôs repasses atrelados a bons indicadores, independentemente de alinhamento partidário.
Na pauta de segurança, Kataguiri antecipou que Aroldo Medina assumiria, no primeiro dia de governo, uma operação para a retomada de territórios no estado do Rio de Janeiro.
O deputado sugeriu ainda que o presidente da República realizasse pronunciamentos semanais em rede nacional, exibindo a redução das áreas do país controladas por facções criminosas e os rostos das lideranças do crime exterminadas pelo Estado.
Em sua fala, o candidato a vice-presidente, tenente-coronel da reserva Aroldo Medina, recorreu a uma vassoura no palco para criticar adversários políticos.
Ex-integrante da Brigada Militar gaúcha, ele comparou as gestões federal atual e uma eventual administração bolsonarista a um objeto velho.
“Uma vassoura velha e fedorenta, se a gente for usar ela para varrer aqui, ela não vai varrer muito bem. O Brasil, com uma vassoura velha, não funciona bem”, discursou Medina.
O militar comparou a chapa do Missão a uma “vassoura nova”, prometendo “varrer toda a sujeira” de escândalos de corrupção, ressaltando que isso não seria feito “para debaixo do tapete”.
O partido vendeu ingressos em categorias variadas, desde a entrada básica de R$ 94 até o ingresso “Onça”, de R$ 7.014, que incluía almoço com lideranças, foto com a cúpula e um item colecionável assinado pelo candidato.
Além da bilheteria, o Missão foca em doações individuais de apoiadores. Renan Santos lidera a arrecadação na plataforma de financiamento da legenda, com R$ 898,4 mil recebidos de 15,6 mil doadores. Kim Kataguiri, principal liderança política do grupo, aparece com R$ 138,6 mil, seguido por Renato Battista (R$ 45,7 mil), Victor Antoun (R$ 31,6 mil) e Ana Hering (R$ 31,5 mil).


