Responsável por plano para atentado contra Moro e por vigiar Lira é executado pelo PCC na cadeia

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Sergio Moro. Foto: EFE/ Joédson Alves

Na segunda-feira (17), o Primeiro Comando da Capital (PCC) executou na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo, o homem que havia coordenado o plano para um atentado contra o senador Sérgio Moro. Integrante da chamada Sintonia Restrita, Nefo havia sido preso em 22 de março de 2023 durante a Operação Sequaz, que desmantelou o grupo que planejava o crime.

Além de Nefo, também foi morto Reginaldo Oliveira de Souza, o Rê, integrante da Sintonia Final dos 14, o grupo responsável pelas ordens aos faccionados em liberdade. Rê também havia sido preso na Operação Sequaz. Ele era um conhecido assaltante de bancos, com “vasta ficha criminal, muitas delas ações violentas”. Os federais interceptaram uma videoconferência de Nefo e Rê durante o planejamento do ataque a Moro na qual foram decididos detalhes do crime. Rê e Nefo foram assassinados durante o banho de sol no presídio.

De acordo com investigadores do caso, não há dúvidas que o crime foi cometido por determinação do comando do PCC. O que ainda não é certo é a motivação do delito. A principal hipótese seria um acerto de contas dentro da facção, em razão do fracasso do plano de resgate de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e dos atentados contra autoridades planejados pelo PCC. Nefo, segundo um desses investigadores, era suspeito de ter “falado demais”. Por isso, pagou com a vida.

Reginaldo Oliveira de Souza, o Rê e Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo, em videoconferência interceptada pela Polícia Federal, durante a Operação Sequaz
Reginaldo Oliveira de Souza, o Rê e Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo, em videoconferência interceptada pela Polícia Federal, durante a Operação Sequaz

Quando Nefo foi preso, em 2023, havia seis meses que os bandidos comandados por ele haviam recebido a ordem para monitorar Moro. Alugaram chácaras na região de Curitiba – em uma delas foi construída uma parede falsa em um dos cômodos para esconder armas e dinheiro. Nefo também arrumou uma casa perto da residência da família do senador e uma sala comercial ao lado do escritório político de Moro, em Curitiba.

Os bandidos fotografaram o cotidiano do casal e de seus filhos. Escola, academia, compras e reuniões: tudo foi acompanhado pelos bandidos. O plano foi descoberto pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, que repassou as informações à Polícia Federal. Esta, após a quebra de sigilo dos celulares apreendidos com o grupo de Nefo, encontrou imagens, com comentários, capturadas na internet do dia 29 de novembro de 2022 feitas pelos criminosos que compunham a célula “Restrita” do PCC.

As imagens eram das residências oficiais dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), bem como uma pesquisa no site da Trovit sobre imóveis na “Península dos Ministros”, Lago Sul, Brasília, demonstrando que houve determinação da cúpula para que esse setor realizasse esses levantamentos das referidas autoridades da República.

Polícia Federal diz que liderança de Janeferson Aparecido Mariano na quadrilha ligada ao PCC 'é percebida pelo desfrute de bens de alto poder aquisitivo'.
Polícia Federal diz que liderança de Janeferson Aparecido Mariano na quadrilha ligada ao PCC ‘é percebida pelo desfrute de bens de alto poder aquisitivo’.

Além disso, os federais descobriram todo o planejamento, preparação e execução de reiterados atos voltados à ação de atentado contra o senador Moro, cuja coordenação estava a cargo de Nefo. No dia 19 de setembro de 2023, os agentes apreenderam, no quintal do imóvel localizado na Rua Coronel José Ribeiro de Macedo Junior, 219, Curitiba, casa usada pelo grupo de Nefo, explosivos e materiais para acionamento dos artefatos, sendo 26 rompedores de rocha da marca Pyroblast de tamanhos variados, 31 iniciadores elétricos e uma maleta de acionamento eletrônico da mesma marca.

De acordo com os investigadores, o material poderia ser usado em um atentado a bomba contra o senador. Para essa ação, a facção mobilizou uma célula com três de seus integrantes e bancou seus custos – cerca de R$ 44 mil –, como estadia, celulares, aluguéis, seguro, IPTU, mobília, transporte e até compra de eletrodomésticos. Além de Moro, o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, era outro alvo dos bandidos.

Imagens encontradas pelo Gaeco com o PCC das residências de Lira e de Pacheco em Brasília. durante a investigação sobre a Sintonia Restrita
Imagens encontradas pelo Gaeco com o PCC das residências de Lira e de Pacheco em Brasília. durante a investigação sobre a Sintonia Restrita

Os atentados contra autoridades e o promotor eram o chamado de Plano B na facção, porque o Plano A – o objetivo principal dos bandidos – era o resgate de Marcola, líder da facção. Havia mais de um ano, a inteligência do Departamento Penitenciário Federal (Depen) e a PF acompanhavam as movimentações e diálogos mantidos por Marcola e outros presos da facção na penitenciária federal de Brasília. O plano envolvia o treinamento de mercenários na Bolívia e arregimentação de integrantes do chamado Novo Cangaço para a invasão do presídio e resgate de Marcola. Mas as prisões que atingiram a Sintonia Restrita colocaram tudo a perder.

Três detentos confessam assassinato de líderes do PCC envolvidos em plano de atentado contra Moro

Três detentos assumiram a autoria dos assassinatos de Janeferson Aparecido Mariano Gomes, o Nefo, e Reginaldo Oliveira de Souza, o Rê, mortos a facadas na segunda-feira, 17, na Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, a P2, em Presidente Venceslau (SP). Eles se entregaram à direção do presídio. Um quarto preso é investigado pela Polícia Civil por suspeita de envolvimento no ataque.

Os supostos assassinos foram isolados e devem responder por mais esses crimes. Segundo a Secretaria da Administração Penitenciária, uma investigação foi aberta para esclarecer as circunstâncias das mortes. Peritos estão no local analisando a cena do crime e em busca de material genético.

Nefo e Rê foram presos por suspeita de envolvimento no plano de atentado contra o senador Sérgio Moro (União-PR), ex-ministro da Justiça, o promotor Lincoln Gakiya, que há vinte anos investiga o Primeiro Comando da Capital (PCC), e outros agentes públicos. Eles eram réus na Operação Sequaz.

Uma fonte a par do caso informou que os assassinatos aconteceram depois ao almoço, durante o banho de sol. Nefo foi morto primeiro, no banheiro do presídio. Em seguida, Rê foi assassinado no pátio da penitenciária.

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