Rússia lança número recorde de drones contra a Ucrânia em abril, aponta agência

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Um soldado das Forças Armadas da Ucrânia dispara contra tropas russas em uma posição na linha de frente, perto da cidade de Pokrovsk, na região de Donetsk - 30.mar.26/Reuters

por AFP e Reuters

A Rússia atacou a Ucrânia com um número recorde de drones de longo alcance em abril, segundo uma análise da agência de notícias AFP dos dados divulgados pela Força Aérea ucraniana. Moscou lançou 6.583 equipamentos desse tipo no mês passado, ou seja, 2% a mais do que em março.

As negociações entre as partes para pôr fim à guerra desencadeada pela invasão russa em 2022 estão estagnadas. Nesse contexto, o Exército russo multiplicou os ataques em plena luz do dia —antes, concentrava as ofensivas no período da noite. A Ucrânia considera isso uma tática para causar o maior número possível de vítimas civis em uma guerra que já causou dezenas de milhares de mortos.

O número de mísseis lançados por Moscou, 141, também aumentou 2% em comparação com o mês anterior, mas é inferior aos 288 de fevereiro. De acordo com dados da Força Aérea ucraniana, 88% dos drones e mísseis foram interceptados.

Kiev vem aumentando a produção de drones desde o início da guerra e se orgulha da eficácia de seus interceptadores. Alguns países do Golfo também utilizaram esses dispositivos para neutralizar os drones Shahed lançados pelo Irã em retaliação à recente ofensiva israelo-americana.

“A nova tática da Rússia de combinar um vasto ataque noturno com um ataque diurno igualmente vasto provavelmente causará um aumento no número de vítimas civis”, escreveu o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) em comunicado divulgado em abril.

O objetivo da Rússia pode ser visar mais “civis e infraestruturas civis, especialmente áreas públicas e abertas, particularmente agora que as temperaturas estão subindo e pode haver mais ucranianos ao ar livre”, acrescenta o centro de estudos americano.

Para Pavlo Palisa, vice-chefe de gabinete do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, esses ataques durante o dia têm como objetivo “aterrorizar os civis” após os bombardeios devastadores de Moscou contra infraestruturas energéticas durante o inverno, que privaram centenas de milhares de residências de água, eletricidade e aquecimento.

“Há também um aspecto econômico. Os ataques em massa no meio do expediente paralisam em grande parte a atividade”, disse ele no início de abril.

A Rússia afirma repetidamente que ataca apenas alvos militares.

Durante a sexta-feira (1), um ataque com drones ucranianos provocou um incêndio no porto russo de Tuapse, no mar Negro, segundo autoridades locais. Os moradores alertaram para o risco de uma catástrofe ambiental e exigiram mais ajuda de Moscou.

O comandante das forças de drones da Ucrânia confirmou o ataque, o quarto contra Tuapse desde 16 de abril. Ataques anteriores incendiaram uma refinaria de petróleo na cidade pelo menos duas vezes, interrompendo a produção. Trata-se de parte de uma estratégia ucraniana mais ampla para prejudicar a enorme indústria energética da Rússia, que financia seus esforços de guerra.

Os ataques fizeram surgir uma coluna de fumaça densa e negra, além de manchas de óleo ao longo da costa. Os moradores foram alertados para permanecerem em casa, manterem as janelas fechadas e beberem apenas água engarrafada.

“Hoje, nestes dias difíceis, estamos superando adversidades e resolvendo problemas importantes juntos. E acredito que teremos sucesso!”, disse o chefe do distrito, Serguei Boiko, em uma mensagem parabenizando os moradores pelo feriado do Dia do Trabalhador.

Menos de três horas depois, ele publicou um novo alerta de drones, orientando as pessoas a se abrigarem em cômodos sem janelas.

Ao longo do conflito, a Rússia bombardeou também usinas de energia ucranianas e a rede elétrica. Na última madrugada, um ataque com drones russos danificou a infraestrutura portuária na região de Odessa, no sul da Ucrânia, e feriu duas pessoas, segundo o governador regional.

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