Salários atrasados e empresa bilionária no exterior: entenda problemas da Itapemirim

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Sidnei Piva, presidente do Grupo Itapemirim. Foto: Estadão

O Grupo Itapemirim anunciou na noite da última sexta-feira, 17, que suspendeu “temporariamente” as operações da companhia aérea ITA para uma “reestruturação interna”. Durante os menos de seis meses desde que começou a operar no País, a empresa já havia se envolvido em diversos problemas, como atraso no pagamento de salários e pedido de falência por credores. Na última semana, também virou notícia o fato de que o presidente da companhia, Sidnei Piva, abriu uma empresa no Reino Unido cujo valor nominal é de 785 milhões de libras (R$ 5,9 bilhões).

Entenda os problemas nos quais a companhia se envolveu desde o seu surgimento em abril deste ano:

Cancelamento e suspensão de voos

A companhia aérea tinha 514 voos programados entre a noite da última sexta-feira e o dia 31 de dezembro, segundo o Sistema de Registro de Operações (Siros) da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Cada voo nas aeronaves da empresa tem capacidade para 162 passageiros. Todos voos foram suspensos.

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Nas redes sociais, surgiram relatos de passageiros que já haviam despachado suas malas e outros que já estavam dentro da aeronave e que foram avisados da suspensão e do cancelamento do voo enquanto o avião já estava taxiando (se movendo na pista em preparação para a decolagem)

Por nota, a companhia informou que os passageiros com viagens programadas para os próximos dias devem entrar em contato pelo e-mail falecomaita@voeita.com.br.

Recuperação judicial e dívidas

O nascimento da empresa área, em abril, ocorreu sob desconfiança do mercado, por conta de uma recuperação judicial – cuja execução é alvo de questionamentos – que o grupo enfrenta desde 2016. Segundo relatório da administradora judicial responsável pelo processo, o Grupo Itapemirim devia mais de R$ 2 bilhões só em impostos, além de mais de 200 milhões a credores. A empresa pediu sua saída da recuperação judicial em maio deste ano, mas o pedido ainda não foi analisado pela Justiça paulista.

Apesar de fazer parte do Grupo Itapemirim, a companhia aérea não se encontra na mesma situação. Ainda assim, a administradora judicial do grupo, a EXM Partners, destacou, em relatório referente a setembro, que a ITA já consumiu R$ 39,9 milhões do grupo. A EXM afirmou também já ter pedido esclarecimentos da empresa, mas que o grupo alegou sigilo de mercado para não apresentá-los.

Além da criação da companhia aérea, o grupo criou também este ano um banco digital, o Ita Bank. Com a criação das duas empresas, estima-se que o grupo investiu aproximadamente R$ 41 milhões, valor que poderia quitar as dívidas trabalhistas da empresa, estimadas em torno de R$41,5 milhões. Alguns credores chegaram a pedir à Justiça a falência do grupo.

Atraso de salários

Embora a criação da empresa tenha sido em abril, a operação começou em julho e, desde então, a ITA é alvo de denúncias de trabalhadores por atrasos em pagamentos. Em agosto, ocorreram as primeiras denúncias. Já em novembro, a companhia voltou a atrasar os pagamentos de seus funcionários.

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), que representa pilotos e tripulantes de voos, entrou com uma ação coletiva na Justiça pedindo a regularização do pagamento de salários atrasados, diárias de alimentação e vale-alimentação, além do recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Empresa bilionária no Reino Unido

Mesmo com tantos problemas e dívidas, em abril, o presidente da empresa, Sidnei Piva, abriu um outro negócio no Reino Unido, chamado SS Space Capital Group UK LTD. O valor nominal da empresa, cuja finalidade é de serviços financeiros e investimentos, é de 785 milhões de libras (R$ 5,9 bilhões).

Reclamações

Nas últimas semanas, enquanto a companhia aérea ainda estava em funcionamento, muitas reclamações foram feitas por clientes nas redes sociais e em sites destinados a esse fim. As principais reclamações são relacionadas a atrasos e pedidos de reembolso.

No site Reclame aqui, foram registradas mais de 4 mil queixas desde o início das operações da companhia.

Para os clientes com passagens compradas para voos da Itapemirim, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) recomenda que não compareçam aos aeroportos antes de contatar a empresa aérea. A agência reguladora também orientou que os passageiros recorram ao Consumidor.gov.br – plataforma para reclamações de consumidores e contato com empresas.

Após o anúncio da suspensão de operações, a ANAC suspendeu a licença da ITA para operar voos.

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