Secretário de Estado dos EUA pede bloqueio de pedidos de passaporte com gênero neutro, diz jornal
Donald Trump abraça Marco Rubio durante comício na cidade de Raleigh, na Carolina do Norte - Ryan M. Kelly - 4.nov.24/AFP
O chefe do Departamento de Estados Unidos, Marco Rubio, equivalente ao ministro das Relações Exteriores do país, instruiu sua equipe a brecar os pedidos de passaporte que tenham um “X” no campo atribuído ao sexo.
A informação, do jornal The Guardian, foi obtida em um e-mail ao qual a publicação teve acesso. Segundo o documento, Rubio diz aos funcionários que sexo não é “mutável”, baseado em ordem assinada pelo presidente Donald Trump na segunda-feira (20).
O ato do republicano define que só existem os sexos “masculino” e “feminino” como forma de acabar com o gênero neutro, em um ataque às políticas voltadas à população de transgêneros.
A orientação do secretário de Estado é que o documento oficial deve se referir ao sexo da pessoa, e não ao gênero com a qual ela se identifica. Isso valerá para passaportes e relatórios consulares de pessoas nascidas no exterior.
O governo dos EUA começou a emitir passaportes com a opção de “X” como definição de sexo desde abril de 2022. Os documentos existentes continuam válidos, mas Rubio avisou no e-mail a que o The Guardian teve acesso que mais informações sobre como proceder com os passaportes que tenham esse marcador serão enviadas por outros canais.
O decreto assinado por Trump na segunda reconhece a existência de só dois sexos biológicos: masculino e feminino. A ordem também rejeita o que ele chama de “ideologia de gênero”, em suposta defesa das mulheres.
Apesar de Donald Trump ter mencionado o termo gênero em seu discurso de posse, sua política defende o uso exclusivo da classificação por sexo, definido como uma característica biológica imutável determinada no nascimento.
Além da ordem que enviou à equipe, Rubio já tem trocado telefonemas com autoridades estrangeiras e começará na semana que vem suas viagens. Os primeiros destinos serão países da América Central: El Salvador, Guatemala, Costa Rica e a República Dominicana.
Rubio deve discutir políticas de imigração nesses países. Com o Panamá, especificamente, pode debater também as intenções declaradas por Trump de retomar o controle do canal que leva o nome do país.
O fato de a primeira viagem do secretário, filho de imigrantes cubanos, ser para a América Latina, é um sinal de que a região pode ter mais prioridade e atenção do que em governos anteriores.
Analistas e a diplomacia brasileira esperavam que isso fosse ocorrer pelo histórico de Rubio, que conhece a região, e se dedicava a tratar de assuntos ligados à América do Sul e Central.