‘Traidora’, ‘picareta’, ‘conteúdo fraco’; relembre críticas entre aliados de Marta e Boulos

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Guilherme Boulos (PSOL) e Marta Suplicy - Mathilde Missioneiro - 18.mar.23/Folhapress

por Ana Gabriela Oliveira Lima

A relação entre aliados de Marta Suplicy (sem partido, mas a caminho do PT) e Guilherme Boulos (PSOL) já envolveu a troca de críticas duras antes da negociação de uma chapa para disputar a eleição para a Prefeitura de São Paulo.

Psolistas como a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) já afirmaram que Marta poderia enfrentar resistência devido ao histórico marcado por críticas ao PT.

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Enquanto era senadora pelo PMDB, Marta foi favorável ao impeachment de Dilma Rousseff (PT), posição que sustentou em janeiro de 2023 em entrevista à Folha. Petista de longa data, ela deixou o partido em 2015, quando tecia críticas sobre a corrupção na sigla.

A possível aliança com Boulos é resultado de um acordo entre PT e PSOL que envolveu as últimas eleições gerais. Em 2022, o psolista abriu mão da candidatura ao Governo de São Paulo para fortalecer a chapa de Fernando Haddad (PT). Agora, o partido do presidente Lula se comprometeu a não apresentar uma candidatura própria à prefeitura para apoiar Boulos na corrida.

Lula participou pessoalmente das negociações para trazer Marta de volta ao PT e formar a chapa com Boulos. Petistas e psolistas diziam achar que o movimento era improvável, uma vez que Marta era secretária de Relações Internacionais de Ricardo Nunes (MDB), atual prefeito da cidade que busca a reeleição.

Na segunda (8), Marta disse a Lula ter aceitado o convite para ser vice de Boulos e, no dia seguinte, deixou a gestão Nunes.

Relembre episódios que envolveram troca de farpas entre Marta e Boulos ou seus respectivos aliados.

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‘CONTEÚDO FRACO’

Nas últimas eleições municipais, Marta afirmou que Boulos estava “tenso, pesado, com conteúdo fraco. Não vai agradar os que querem ter esperança”. Ela fazia referência a um debate no segundo turno entre o político e Bruno Covas (PSDB), vencedor daquelas eleições.

Marta também chamou de “absurda” resposta de Boulos sobre o combate à Covid-19 no Brasil. Na ocasião, o político comparou a atuação do país com a da China.

“Resposta absurda de Boulos. Não dá para comparar SP/Brasil com um regime autoritário como a China, onde com uma cantada, você fecha a cidade. E ai de quem desobedecer”, afirmou.

‘PICARETA’

Também na campanha de 2020, o empresário Marcio Toledo, marido de Marta, criticou a atuação de Boulos. Toledo afirmou que o político teria inventado estar com Covid para não comparecer a um debate marcado na última fase da campanha. A acusação, feita em um grupo de WhatsApp, foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

“Boulos arrumou Covid para fugir de debate… Seria trucidado e desmascarado… Eita Boulos picareta”, escreveu.

‘TRAIDORA DO POVO’

A deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP), que foi candidata a vice de Boulos nas eleições de 2020, já chamou Marta de “traidora do povo”.

A declaração se deu em 2016, quando Erundina era deputada e se candidatava à Prefeitura de São Paulo. Na época, Marta Suplicy era pré-candidata pelo PMDB.

Em 2020, Marta disse que Erundina fez menção “desleal duas vezes” a ela em resposta à acusação da psolista de que Marta teria reduzido o orçamento da Educação.

Em dezembro de 2023, Erundina afirmou ter dificuldade em entender a estratégia de Lula na formação da chapa de Boulos com a ex-petista.

Aliados do prefeito Ricardo Nunes preveem nova pecha de traição para Marta.

A saída do secretariado foi comunicada pelas duas partes na tarde da terça-feira (9) depois que aumentaram os indícios de que o acordo proposto por Lula sairia do papel.

Até então, Nunes dizia à imprensa que não acreditava que a articulação iria ocorrer. “Não tem sentido alguém que está no governo durante três anos ter uma atitude dessa. Não é o perfil da Marta”, afirmou durante coletiva no dia 23 de dezembro.

IMPEACHMENT

Enquanto Marta foi favorável ao impeachment de Dilma Rousseff (PT), Boulos defende a tese de que a ex-presidente sofreu um golpe.

Na época do impeachment em 2016, Marta foi cobrada por militantes de esquerda, que chegaram a escrever “traíra golpista” na calçada do escritório da política em São Paulo.

Já Boulos afirmou na época que quem era a favor do impeachment tinha “moral seletiva”. Como coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), ele conduziu manifestações contra a saída da ex-presidente.

“Quem pensa que acabou aqui se engana. O golpe foi consumado pelos senadores, mas a Resistência seguirá nas ruas”, afirmou em 2016 nas redes sociais.

ANIMOSIDADE

Em entrevista ao UOL em novembro de 2023, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) afirmou que psolistas não tinham como opinar sobre a escolha da vice, haja vista o acordo feito com o PT para garantir apoio nas eleições.

Na época, ela disse que achava improvável que Marta fosse a escolhida para formar chapa com Boulos. Afirmou também que alguns setores do PT provavelmente não acolheriam a decisão, já que Marta tinha sido a favor do impeachment de Dilma.

“Existe uma animosidade com relação à figura dela”, afirmou. “Eu acho que ela tem uma relação mais orgânica com o Ricardo Nunes hoje do que com a militância do PT e com o próprio Guilherme Boulos”.

Sâmia disse que Marta tinha o mérito de já ter sido uma prefeita bem avaliada, principalmente em regiões periféricas, além de ser uma mulher, “apelo importante” na hora de escolher a composição do Executivo. Entretanto, afirmou acreditar que o ideal seria que o partido escolhesse um nome “mais orgânico” e que já participasse do processo de articulação entre os partidos.

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