Tribunal sírio condena Bashar al-Assad à morte por crimes de guerra

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por AFP

Grande grupo de pessoas reunidas em manifestação segurando bandeiras da Síria com três estrelas vermelhas. Muitas mulheres com véus brancos e coloridos estão na frente, com prédios e árvores ao fundo sob céu nublado.
Sírios seguram bandeiras ao se reunirem para marcar o primeiro aniversário da queda de Bashar al-Assad na Síria – Karam Al-Masri/8.dez.25/Reuters

Um tribunal da Síria condenou nesta terça-feira (11) o ditador deposto Bashar al-Assad à morte após considerá-lo culpado, em julgamento à revelia, por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante o conflito civil no país.

A sentença é a primeira desse tipo desde que rebeldes assumiram o controle da Síria após derrubarem Assad em dezembro de 2024. Nos últimos meses, juízes começaram a julgar integrantes do antigo regime, tanto de forma presencial quanto à revelia.

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O ditador deposto fugiu da Síria rumo à Rússia quando combatentes liderados por Ahmed al-Sharaa tomaram Damasco e encerraram seu regime após mais de uma década de guerra civil, iniciada como um levante popular. O novo governo havia prometido responsabilizar os envolvidos nos crimes cometidos durante os anos em que Assad esteve no poder.

Atualmente, Assad está em Moscou, e integrantes de seu regime têm vida luxuosa escondidos da Justiça, protegidos pela riqueza e por nações complacentes. Uma investigação do jornal The New York Times encontrou alguns deles vivendo nos Emirados, na Rússia e até mesmo na Síria.

Assad Atif Najib, ex-funcionário do regime, também foi condenado por crimes contra a humanidade cometidos quando chefiava a segurança política na província de Daraa, berço do levante de 2011 no país.

O tribunal considerou Najib culpado de crimes que incluem assassinato, homicídio doloso de menores de 15 anos e tortura, anunciou a corte ao impor a pena de morte.

Dezenas de pessoas se reuniram em frente ao tribunal para acompanhar o julgamento. Algumas carregavam fotografias de parentes desaparecidos ou presos durante o antigo regime. Muitos vieram de Daraa.

Reportagem do New York Times buscou entender o destino de 55 ex-líderes do regime que desapareceram após a queda de Assad. Eles eram homens com imenso poder, mas perfis públicos limitados. Tiveram décadas para aperfeiçoar a arte de obscurecer suas identidades com nomes falsos e passaportes comprados. Todos estão sob sanções internacionais; vários enfrentam mandados de prisão.

Muitos mantêm o padrão de vida luxuoso. Segundo o jornal americano, houve festas de aniversário extravagantes para as filhas dos irmãos Assad em uma vila em Moscou e em um iate em Dubai. O ex-chefe de espionagem Ali Mamlouk, segundo pessoas próximas, mora em um apartamento em Moscou à custa da Rússia.

Ghassan Bilal, considerado um dos chefões do império de drogas do regime, também está em Moscou e sustenta o estilo de vida confortável de sua família no exterior, da Espanha a Dubai, segundo três ex-oficiais.

A guerra civil na Síria matou centenas de milhares de pessoas e deslocou milhões desde 2011, levando cerca de 5 milhões a buscar refúgio em países vizinhos. A queda do regime da família Assad —integrante da minoria alauíta e no poder havia 54 anos, com Bashar e antes com seu pai, Hafez— e o fim dos combates abriram caminho para o retorno gradual da população ao país.

No entanto, o país ainda está fragmentado e tenta encontrar estabilidade e se recuperar após anos de guerra civil. No pós-Assad, centenas de pessoas foram mortas em episódios de violência sectária que provocaram novos deslocamentos e alimentaram a desconfiança de minorias em relação ao governo de Ahmed al-Sharaa, que ainda luta para restabelecer a autoridade de Damasco em todo o território.

A guerra civil síria começou após a violenta repressão a manifestações pró-democracia realizadas no contexto da Primavera Árabe, onda de revoltas contra governos de diferentes países do Oriente Médio e do Norte da África.

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