Trump assina decreto para ‘começar a eliminar’ o Departamento de Educação dos EUA

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Donald Trump

O presidente Donald Trump assinou na quinta-feira (20) um decreto que orienta o governo a tomar as medidas para encerrar o Departamento de Educação e visa brecar o financiamento federal a atividades que promoverem políticas de diversidade e inclusão.

Segundo Trump, a ordem é para “começar a eliminar de uma vez por todas o Departamento de Educação”. “Espero que os democratas votem a favor dessa medida”, disse, sugerindo que sua gestão pode tentar passar um projeto no Parlamento com esse teor.

O Departamento de Educação só pode ser encerrado com aval da ampla maioria do Congresso, onde deve ser aprovado por 60 votos de 100 senadores.

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Trump tem hoje maioria nas duas Casas do Legislativo, mas, conta com apenas 53 senadores republicanos. Ou seja, para aprovar a medida, precisaria do voto de ao menos sete democratas.

Desde a criação do órgão, em 1979, uma ala de republicanos defendem sua extinção. No ano passado, uma emenda que previa o fim do órgão foi rejeitada no Congresso e barrada ainda na Câmara dos Representantes, com votos tanto de democratas como de republicanos.

O texto do decreto assinado nesta quinta pelo presidente orienta a secretaria do Departamento de Educação, a ex-CEO da empresa de luta livre WWE Linda McMahon, a tomar “todas as medidas necessárias para facilitar o fechamento do Departamento de Educação e devolver a autoridade sobre a educação aos Estados e comunidades locais”.

Determina ainda que a distribuição das verbas do departamento cumpra a política de governo para exigir que qualquer “programa e atividade” financiado pelo Executivo “encerre discriminações ilegais disfarçadas sob o rótulo de ‘diversidade, equidade e inclusão’ ou termos semelhantes e programas que promovam ideologia de gênero”.

O presidente tem acusado as escolas de promoverem o que ele chama de agenda “woke”, termo pejorativo usado por conservadores para se referir à agenda de diversidade e igualdade de gênero e raça.

Ele já havia prometido cortar o financiamento de instituições que promovam “a insanidade transgênero e outros conteúdos raciais, sexuais ou políticos inadequados”.

A cerimônia de assinatura teve a presença de crianças em idade escolar sentadas ao redor do púlpito onde Trump discursou e de quatro governadores de estados.

Ao formalizar o decreto, o presidente brincou com a sua auxiliar. “Eu espero que você não fique lá por muito tempo, mas acharemos outra função para você”, afirmou a McMahon.

A principal função do Departamento de Educação é financiar empréstimos estudantis, pesquisa e auxílio a estudantes com deficiência, além de combater a discriminação e promover o acesso à educação.

Nos EUA, como no Brasil, as escolas públicas são administradas principalmente por governos locais, sejam estaduais ou municipais —apenas cerca de 14% delas são financiadas pelo Executivo federal americano.

Ao contrário do MEC (Ministério da Educação), o Departamento da Educação dos EUA não tem poder sobre o currículo das escolas nem papel regulatório no ensino superior.

Outra diferença importante é que, enquanto o governo federal brasileiro é responsável por parte importante do financiamento da educação básica, nos EUA 92% desse dinheiro vem dos estados, municípios ou do setor privado.

Já as universidades dependem mais do órgão federal para obter verbas de pesquisa e apoio ao pagamento de mensalidades de estudantes.

A pasta gerencia, por exemplo, cerca de US$ 1,6 trilhão em dívida de empréstimos estudantis. O valor foi mencionado no decreto de Trump, que acusou o órgão de não ter estrutura suficiente para gerenciar a verba.

“Isso significa que o programa federal de ajuda estudantil é aproximadamente do tamanho de um dos maiores bancos do país, o Wells Fargo. Mas, embora o Wells Fargo tenha mais de 200.000 funcionários, o Departamento de Educação tem menos de 1.500 em seu Escritório de Ajuda Estudantil Federal”, diz o decreto de Trump.

“O Departamento de Educação não é um banco, e deve devolver funções bancárias a uma entidade equipada para servir os estudantes americanos”, segue o documento.

O departamento tem ainda um Escritório de Direitos Civis que investiga e orienta como essas medidas devem ser aplicadas. No ano passado, o orçamento total do órgão federal foi de US$ 238 bilhões.

Por ora, segundo a Casa Branca, o decreto assinado por Trump “esvazia” as competências do Departamento de Educação, mas mantém a gestão de empréstimos estudantis e os subsídios dado a estudantes para pagar a universidade.

A ideia é que todas essas funções sejam distribuídas entre os estados e outras agências.

Ainda que a determinação tenha sido formalizada nesta quinta, o desmantelamento do órgão já estava em curso.

Na semana passada, o departamento anunciou a demissão de pelo menos 1.315 funcionários, cerca de 50% da sua força de trabalho. Junto com outras exonerações, serão 2.200 funcionários a menos de um total de 4.133 que atuavam no departamento no dia que Trump tomou posse, em 20 de janeiro.

O Departamento de Educação foi criado em 1979 no governo do democrata Jimmy Carter.

Leavitt afirmou que desde a criação o órgão gastou mais de US$ 3 trilhões e está “falhando” reiterando o discurso por trás do enxugamento promovido por Trump e Elon Musk, hoje à frente, ainda que não oficialmente, do Departamento de Eficiência Governamental (Doge).

A medida da quinta-feira (20) se soma a várias outras ações do governo para reduzir o tamanho do Estado e desmantelar órgãos públicos. Desde a posse, Trump tem promovido demissões em massa e tentado abolir agências governamentais, como a Usaid, órgão responsável pela assistência que os EUA prestam em nível internacional.

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