Trump diz que ‘forças negativas’ trazem preocupações exageradas sobre IA
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante reunião de gabinete na Casa Branca, em Washington - Kent Nishimura - 27.mai.26/AFP
Por Redação g1
O presidente dos EUA, Donald Trump, comparou, neste domingo (13), os críticos da inteligência artificial a “forças muito negativas” que estão levantando cenários que não vão acontecer, e disse que quer garantir que os EUA continuem sendo os líderes do setor.
“Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo […] Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam, e estão levantando coisas que não vão acontecer”, declarou Trump aos jornalistas em seu campo de golfe na Irlanda, ao ser questionado se a indústria de IA deveria desacelerar ou ser mais regulamentada.
O debate público sobre IA esquentou nos EUA depois que dois pesquisadores da Anthropic emitiram alertas de que o rápido avanço da tecnologia poderia levar à extinção da raça humana num futuro não muito distante.
Em seu segundo mandato, o governo Trump tem apoiado amplamente as empresas de IA. Esses líderes de IA e outras empresas de tecnologia também têm apoiado as iniciativas de Trump.
Executivos à frente das empresas de inteligência artificial têm injetado dinheiro na campanha das eleições de meio de mandato que antecedem o pleito de 3 de novembro, o qual determinará o controle do Congresso.
É o caso do super PAC do CEO da SpaceX, Elon Musk, o America PAC, que já gastou milhões apoiando candidatos republicanos e deve desempenhar um papel principal nos esforços de mobilização de eleitores neste outono.
O Pentágono alertou sobre riscos do modelo da Anthropic
Após os alertas dos pesquisadores, alguns CEOs de IA estão pressionando para desacelerar o avanço dos modelos.
No sábado, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, apresentou uma estrutura em três etapas destinada a ditar o ritmo de desenvolvimento e criar mais tempo para gerenciar seus riscos. A proposta recebeu imediatamente o apoio de vários outros executivos de grandes empresas de IA, incluindo Musk e o CEO da OpenAI, Sam Altman.
Em uma entrevista exibida no domingo no programa “Face the Nation with Margaret Brennan”, da CBS, Amodei disse que a competição entre empresas de IA americanas e chinesas era o “dilema mais difícil” na tentativa de estabelecer um “limite de velocidade” para o ritmo de desenvolvimento da IA.
“Não devemos nos enganar, pois os incentivos para se destacar e a vantagem militar obtida com isso são tão grandes que a capacidade de checar se o outro lado não está trapaceando precisa ser irrefutável”, disse ele. “Então acho que esse será um trabalho de anos e, sinceramente, não sei se é possível.”
Jacob Coxon, um dos pesquisadores da Anthropic que se demitiu e depois emitiu os alertas, pressionou para que os EUA trabalhassem com outros países para garantir o ritmo.
“Sinto que precisamos de coordenação internacional, caso contrário corremos o risco de disputar a mesma corrida com a China, o que pode ser igualmente perigoso”, disse Coxon no programa Meet the Press, da NBC.


