UE suspende a partir de quinta-feira (3) importação de carne do Brasil
por AFP

A União Europeia suspenderá a partir desta quinta-feira (3) a importação de carne bovina e de aves de corral provenientes do Brasil, anunciou nesta segunda-feira (31) a Comissão Europeia. O bloco espera garantias sobre o cumprimento de suas normas sanitárias.
O Brasil foi retirado, em maio, de uma lista de países que cumprem as regras da UE sobre o uso de antibióticos na produção pecuária, em meio à pressão do setor europeu após a assinatura do acordo de livre comércio com os países do Mercosul.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento dessas normas.
A decisão foi assinada e publicada em junho pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, formalizando a decisão que havia sido anunciada pelo bloco em maio.
“Brasil é um parceiro importante da UE e estamos trabalhando em estreita colaboração para garantir que cumpra esses requisitos. Assim que esse cumprimento for comprovado, as exportações para a UE poderão ser retomadas”, afirmou uma porta-voz da Comissão Europeia à AFP.
Procurado pela AFP, o governo brasileiro não comentou imediatamente o anúncio. Em maio, porém, havia informado que “tomaria rapidamente” todas as medidas necessárias para reverter a exclusão.
As medidas da UE fazem parte de sua política de combate à resistência dos microrganismos aos medicamentos, buscando evitar o uso desnecessário de antibióticos.
“Não tem como competir”
As regras europeias proíbem o uso de antibióticos na pecuária para estimular o crescimento dos animais e também restringem antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções em humanos.
Carlos Roberto dos Santos, pecuarista de Barretos, no interior de São Paulo, defendeu o uso de alguns desses produtos e afirmou que a medida tem, na prática, o objetivo de proteger os produtores europeus.
O antibiótico questionado por Bruxelas “é um promotor de crescimento. Ajuda a digerir o pasto para que o boi ganhe mais peso, não é para tratar uma doença”, disse à AFP.
Segundo ele, “os custos de produção são muito mais altos lá. Um pecuarista europeu não tem como competir comigo”. Se os governos europeus “importarem carne barata, vão acabar com a agropecuária de seus países”, afirmou em sua propriedade em Barretos.
Em 2025, o Brasil foi o segundo maior exportador de carne bovina para a UE, com mais de 92 mil toneladas, avaliadas em mais de 713 milhões de euros.
A suspensão das importações também afeta ovos e mel, e o Executivo europeu não informou um prazo para uma eventual retomada.
No caso da carne de aves e do mel, uma auditoria está em andamento e deve ser concluída nesta sexta-feira (4). Se os resultados forem considerados satisfatórios pela UE, as importações brasileiras poderão voltar a ser autorizadas nas próximas semanas.
Para a carne bovina, porém, o prazo pode ser mais longo, devido à duração dos ciclos de produção, informou a Comissão Europeia.
O acordo comercial entre a UE e o Mercosul —formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai—, assinado em janeiro deste ano, entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio.


