Warren Buffett descreve relacionamento de Bill Gates com Epstein como ‘desagradável’

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Warren Buffett descreveu o relacionamento de Bill Gates com Jeffrey Epstein como “desagradável”, mas disse que poderia “se imaginar” cometendo um erro semelhante na escolha de aliados.

Presidente da Berkshire Hathaway, Warren Buffett (à dir.), e fundador da Microsoft, Bill Gates (à esq.) durante evento anual da Berkshire em Omaha – Rick Wilking – 7.mai.17/Reuters

Em uma entrevista à CNBC na quarta-feira (15), após o bilionário presidente da Berkshire Hathaway excluir a Fundação Gates de sua doação anual de ações, Buffett disse que a amizade do cofundador da Microsoft com o criminoso sexual foi um erro de julgamento.

Ele acrescentou: “Cometi erros ao contratar todo tipo de pessoa ou escolher amigos e depois descobrir, de uma forma ou de outra, que eles não eram o que eu pensava que eram.” “Não encontrei nada ali que estivesse além do que eu poderia me imaginar fazendo”, disse.

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“Li o que o Congresso descobriu —li tudo— e tudo o que posso dizer é que não sei se fiz coisas mais estúpidas, mas simplesmente fiz muitas coisas estúpidas na vida”, disse Buffett na quarta.

A exclusão da Fundação Gates por Buffett esta semana ocorreu após novas revelações sobre os laços do cofundador da Microsoft com Epstein, que começaram a surgir em janeiro por meio de novos materiais divulgados na investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O conjunto de documentos revelou interações de Epstein com algumas das pessoas mais poderosas do mundo. Gates até agora resistiu ao escrutínio de seu relacionamento com Epstein e continua sendo a figura central de sua fundação.

Buffett, que completa 96 anos em agosto, disse na entrevista que havia “reavaliado toda a minha situação” em relação às suas doações e determinou que seus três filhos, e uma nova fundação nomeada em homenagem à sua falecida esposa, deveriam decidir como doar seu dinheiro.

Como ex-curador, Buffett desempenhou um papel crucial na Fundação Gates, doando mais de US$ 47 bilhões (R$ 238,6 bi) para a organização.

Buffett não disse abertamente que o relacionamento de Gates com Epstein influenciou a decisão de não doar para a fundação este ano, mas disse que leu todos os materiais divulgados nos últimos meses sobre o cofundador da Microsoft e o criminoso. Isso incluiu o depoimento de Gates ao Congresso no mês passado, que Buffett enfatizou ter sido “sob juramento”.

A decisão de doar dinheiro apenas para organizações ligadas à família este ano marca o fim de um compromisso que Buffett assumiu pela primeira vez em 2006, quando prometeu fazer doações anuais à Fundação Gates durante toda a sua vida.

Buffett sugeriu que sua decisão de se afastar da fundação foi porque seus filhos estavam prontos para administrar a fortuna. O bilionário disse que anteriormente não achava que seus filhos estavam “prontos de forma alguma para doar vastas somas de dinheiro”, mas desde então mudou de ideia.

Em um comunicado, a Fundação Gates disse estar “grata” a Buffett por suas “décadas de apoio”. A organização sem fins lucrativos planeja doar US$ 200 bilhões (R$ 1 tri) adicionais nas próximas décadas e encerrará suas atividades até o final de 2045.

Mesmo antes das recentes revelações sobre Epstein, Buffett sinalizou em 2024 que, após sua morte, o resto de sua riqueza iria para uma organização ligada à sua família. Ele planeja transferir sua participação na Berkshire para quatro fundações familiares dentro de oito anos.

Buffett disse que passou um tempo com Gates em Omaha algumas semanas atrás, quando conversaram por cerca de três horas, e que já haviam feito planos para se encontrar novamente.

Ele acrescentou que tiveram muitos “bons momentos juntos” desde que se conheceram há mais de três décadas.

Em março, Buffett havia dito que os dois não conversavam desde que “toda a coisa foi revelada”, referindo-se à divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça. Gates confirmou à Câmara dos Representantes dos EUA no mês passado que os dois não conversavam desde janeiro e que Buffett estava “acompanhando a imprensa”.

O presidente da Berkshire disse que avisou pessoalmente Gates sobre o plano de não doar para a Fundação Gates este ano, o que significa que o anúncio não foi uma “surpresa”.

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