Sem controle, turistas embarcam contaminados com Covid em aviões
Movimento na rodoviária de Balneário Camboriú no dia 2 de janeiro (Foto: Divulgação)
A explosão de casos de síndrome respiratória em Santa Catarina, com registros de Covid-19 e influenza, têm feito de aeroportos e rodoviárias alguns dos pontos mais críticos para contaminação. O alerta está no boletim emitido pela Diretoria Estadual de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC) na quarta-feira (5), e o motivo não é apenas a alta circulação de pessoas. Ocorre que, sem controle nem regras sanitárias, turistas com teste positivo para Covid-19 estão embarcando em ônibus e aviões para voltar para casa sem serem contidos.
Há casos em que o visitante doente decidiu adiantar o retorno por receio de precisar de hospitalização – entram nesse cálculo as condições da rede pública local, já bastante sobrecarregada, e a abrangência dos planos de saúde. Muitos não oferecem cobertura fora do estado de origem do titular.
Mas também há situações em que o turista simplesmente não consegue estender a permanência – seja porque o local onde está hospedado não está disponível para mais dias, ou porque não tem condições financeiras de arcar com mais tempo de hospedagem. Sem alternativa, acaba indo embora.
A circulação de pessoas contaminadas por rodoviárias e aeroportos de Santa Catarina coloca em risco outros viajantes e trabalhadores do setor de transportes, e a Secretaria de Estado da Saúde tem ciência da situação. João Fuck, diretor da Dive-SC, ressalta que a recomendação para os casos positivos para Covid-19 continua sendo o isolamento, para evitar que o vírus se espalhe.
A situação é caótica e reflete as escolhas do governo federal, que desde o início da pandemia negligenciou medidas simples como a apresentação de teste negativo de Covid-19 para embarque em viagens internas. O regramento é responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e está sujeito à aprovação do governo.
A volta para casa com alto risco de contaminação poderia ter sido evitada com protocolos bem feitos e informação. Nos jogamos na temporada de verão em meio ao apagão de dados sobre a Covid-19 no Brasil, que teriam sido fundamentais para monitorar tendências e reforçar os alertas.


