Vereador Senival Moura, preso sob suspeita de elo com PCC, pede afastamento do PT
Senival Moura (PT) foi preso em operação nesta semana - Gute Garbelotto/CM-SP
O vereador Senival Moura, preso na última quinta-feira (25) numa operação por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital) por meio de empresa de transporte de ônibus municipal em São Paulo, pediu o afastamento de sua filiação ao PT (Partido dos Trabalhadores).
O pedido de afastamento foi divulgado pelo Diretório Municipal do PT em São Paulo. Segundo o diretório, o vereador apresentou a justificativa de que deseja “se dedicar à sua defesa” e “não vincular os últimos acontecimentos ao partido”.
Senival está entre as três pessoas presas na Operação Última Parada, realizada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, que é resultado de uma investigação contra a Transunião, empresa que opera linhas de ônibus municipais na capital paulista. Dois homens que foram alvo da operação estão foragidos.
Na sexta-feira (27), a Justiça decidiu manter a prisão temporária dele após a audiência de custódia.
Segundo a polícia e os promotores, o vereador controlava efetivamente a empresa, apesar de não integrar formalmente a direção. Documentos da investigação apontam que ele era “detentor do poder de condução da estrutura paralela de gestão financeira” da concessionária de transporte e operava como uma espécie de “instância superior de deliberação acerca da movimentação informal de recursos”.
A defesa dele declarou em nota ter recebido a prisão “com profunda indignação” e disse que a medida causa “enorme surpresa” porque “foi determinada em um momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral, circunstância que inevitavelmente desperta questionamentos”.
Disse também que o vereador “reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte”.
A investigação que culminou na prisão do vereador começou em 2020, na esteira da morte do então presidente da Transunião. Segundo a polícia, Adauto Soares Jorge foi assassinado após descoberta de desvios financeiros na empresa.
Ainda segundo os investigadores, Senival só não foi morto porque teria se comprometido a devolver os valores desviados.
Segundo a Polícia Civil, o petista “instrumentalizou a Transunião para a operacionalização de um sistema financeiro clandestino”, voltado ao suporte econômico de indivíduos ligados ao PCC. Ele é apontado como responsável por abrir as portas da Transunião para a facção criminosa.
Horas após a operação que culminou na prisão do vereador nesta quinta-feira, a gestão Ricardo Nunes (MDB) decretou intervenção na concessionária Transunião e disse em nota encaminhada à imprensa que a medida “abrangerá os prédios, equipamentos, veículos, serviços e demais bens móveis e imóveis de propriedade da empresa”.
A intervenção entrou em vigor ainda na quinta-feira. A previsão é de que a medida dure seis meses neste primeiro momento.
Além do vereador, também foram detidos na operação desta quinta-feira Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, apontado como diretor informal da empresa de ônibus, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, homem de confiança do vereador.
Ambos são réus pelo assassinato de Adauto, o ex-presidente da concessionária. O advogado que representa Jair na ação penal do homicídio do ex-presidente não respondeu à tentativa de contato.
Já o advogado José Miguel da Silva Júnior, que defende Devanil, disse que ainda não teve acesso aos autos, mas que considera desnecessária a prisão dele e que já pediu a revogação da prisão temporária.
Como mostrou o Painel da Folha, Senival escapou de responder a um processo de expulsão do PT em 2014 em decorrência das investigações do Ministério Público por suposta ligação com o PCC.
Na época, Luiz Moura, irmão de Senival e então deputado estadual, foi expulso, em decisão da executiva estadual do PT em São Paulo.
