Governo Lula quer manter embaixadora nos EUA após sanção de Trump

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por Folhapress

Mulher de meia-idade com cabelo castanho escuro na altura dos ombros, veste casaco preto com broche branco em forma de flor e colar de pérolas duplo. Fundo branco liso.
A nove embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti – WOLFGANG KUMM/AFP

O governo Lula pretende manter a embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, em Washington mesmo após a revogação de seu visto anunciada pelo Departamento de Estado na quarta-feira (4). A avaliação no Palácio do Planalto é que a medida tem caráter sobretudo político e simbólico e, por enquanto, não impede que a diplomata continue exercendo suas funções.

Na interpretação de integrantes do governo brasileiro ouvidos pela Folha, o visto de Viotti não foi propriamente cancelado. O que mudou foi a autorização para múltiplas entradas no país. Com a decisão americana, a embaixadora poderá permanecer nos Estados Unidos normalmente, mas, caso deixe o território americano, terá de solicitar um novo visto para retornar.

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Segundo um porta-voz do Departamento de Estado americano, Viotti não foi declarada “persona non grata”. A medida foi classificada pelo governo americano de ação recíproca e, por isso, a embaixadora só precisará de um novo visto se deixar os EUA.

O porta-voz afirmou ainda que Washington manteve comunicação contínua com o governo brasileiro durante semanas e deu “todas as oportunidades para fazer a coisa certa”. Segundo ele, o governo Lula continuou adiando e dificultando o processo de concessão do agrément —o aval diplomático necessário para que Daniel Perez, indicado por Donald Trump para a embaixada dos EUA no Brasil, possa assumir o cargo.

Integrantes do governo brasileiro, porém, contestam essa versão. Aliados do Planalto afirmam que não houve negociações entre os dois governos sobre a concessão do agrément e rejeitam a afirmação de que o Brasil tenha criado obstáculos ao processo.

Segundo interlocutores do governo, antes mesmo do anúncio público do Departamento de Estado, a embaixadora já havia sido informada de que estava em estudo uma medida que desagradaria ao Brasil. A leitura no Planalto é que a restrição ao visto não altera sua condição de representante oficial do Brasil nem inviabiliza o funcionamento da embaixada.

Apesar da pressão americana, a tendência no governo é evitar uma resposta imediata. Interlocutores afirmam que a Lei da Reciprocidade continua sendo uma possibilidade, mas avaliam que ainda é cedo para definir quais medidas poderiam ser adotadas. A orientação, neste momento, é avaliar os próximos movimentos de Washington antes de decidir sobre uma eventual reação diplomática.

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