Trump anuncia que vai indicar ‘czar da IA’ e criar força-tarefa para impulsionar setor

O presidente dos EUA, Donald Trump, escreveu em uma postagem nas redes sociais neste sábado (19) que está criando uma “Força de IA” para supervisionar a regulamentação da inteligência artificial e que anunciará em breve um “czar” para a área.
“Não vamos, de forma alguma, impedir ou sufocar o crescimento desse setor incrível”, escreveu Trump no Truth Social.
“Pelo contrário, vamos valorizá-lo, ajudá-lo e acompanhá-lo à medida que cresce! No entanto, também estaremos atentos ao que há de ruim, e podemos fazer isso com muita facilidade por meio do nosso sistema de justiça criminal e civil já existente”, disse.
O presidente americano também sugeriu alterar o termo usado para se referir à inteligência artificial, criando uma enquete para seus seguidores. Segundo ele, a expressão é pouco precisa e não é suficientemente eloquente para descrever a tecnologia.
“Uma descrição muito mais elegante e precisa desse novo fenômeno seria Inteligência Superior (IS), Inteligência Extrema (IE) ou Inteligência Suprema (IS)”, afirmou, em alusão às três opções da votação.
“Esta é uma enquete, e eu agradeceria que todos votassem! Qual é o melhor nome para essa ‘Revolução’ em constante crescimento?”, escreveu.
A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário sobre a sugestão ou sobre as medidas anunciadas.
No início da semana, Trump afirmou que os EUA já contam com medidas de segurança para regulamentar e processar judicialmente empresas de IA.
“O único controle ou ‘medidas de proteção’ de que a IA precisa é um presidente FORTE E INTELIGENTE (com alto QI!), e os EUA têm isso de sobra!”, escreveu Trump no Truth Social, acrescentando que a China se beneficiaria da desconfiança gerada em relação ao desenvolvimento da inteligência artificial.
A declaração foi lida como uma resposta às preocupações manifestadas por líderes do setor no fim de semana sobre o uso indevido da tecnologia.
O alarme sobre os possíveis danos causados pela IA cresceu na semana passada quando o pesquisador da Anthropic, Jacob Coxon, anunciou que havia se demitido e afirmou que “as pessoas que desenvolvem IA acreditam sinceramente que ela poderia matar a todos nós até o final da década”.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, escreveu em um artigo publicado no sábado (12) que o governo dos EUA deveria elaborar regulamentações exigindo auditorias independentes das ferramentas de IA mais avançadas, conhecidas como modelos “de fronteira”.
Ele delineou uma estrutura em três etapas destinada a moderar o ritmo de desenvolvimento da tecnologia e gerenciar seus riscos. A proposta foi imediatamente apoiada por vários outros executivos de grandes empresas de IA, incluindo Elon Musk, que dirige a xAI, e o CEO da OpenAI, Sam Altman.
Inteligência artificial já pode ter consciência?
O apoio de Trump ao setor também ocorre em meio à corrida tecnológica contra a China. “Já temos um poder CRIMINAL e REGULATÓRIO tremendo sobre essas empresas! Há uma conspiração DOENTIA em andamento contra a IA e os data centers, e a única que está feliz com isso é a China”, afirmou no começo da semana.
Trump e Xi Jinping vão se reunir em Washington na próxima semana. O líder chinês chega à capital norte-americana na quarta-feira (23). Na quinta-feira (24), Trump e a primeira-dama, Melania Trump, receberão Xi e sua esposa, Peng Liyuan, na Casa Branca.
Autoridades dos EUA afirmaram que o tema da IA será abordado em conversas com a China. Washington e Pequim consideram os avanços no setor cruciais para a competitividade econômica e militar dos países, mas permanecem em desacordo quanto ao acesso a chips avançados, às alegações de cópia de tecnologia e à regulamentação.


