Sob Javier Milei, que é inspiração para Flávio Bolsonaro, pobreza cresce e atinge um terço da população na Argentina; crianças são as mais afetadas e cerca de 30 mil empresas fecharam

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por AFP e Folhapress

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Flávio Bolsonaro e Milei

A pobreza na Argentina voltou a crescer após dois anos e registrou uma alta significativa no primeiro semestre de 2026, ao atingir um terço da população, segundo dados oficiais publicados na quinta-feira (24/9).

O índice chegou a 32,3%, um aumento de 4,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. A taxa de indigência também subiu e alcançou 7,5%, informou o instituto oficial de estatísticas Indec.

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O órgão considera pobres os adultos cuja renda não é suficiente para cobrir uma cesta básica de cerca de US$ 340 (R$ 1.761) pelo câmbio oficial, que inclui alimentos e outros bens e serviços. A cesta usada para medir a indigência inclui apenas alimentos e custa aproximadamente US$ 150 (R$ 777) por mês.

O índice estava em queda desde o primeiro semestre de 2024, quando 52,9% dos 47 milhões de habitantes do país viviam na pobreza.

O índice de pobreza é uma das estatísticas mais destacadas pelo presidente Javier Milei para ilustrar o que considera o sucesso de seu plano econômico ultraliberal. “Tiramos 14 milhões de pessoas da pobreza”, afirmou na quarta-feira, em Nova York.

O crescimento da pobreza acompanha a inflação, que voltou a acelerar entre o fim de 2025 e o início de 2026.

Eduardo Donza, pesquisador do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina, afirmou que “três em cada dez pessoas estão há algum tempo em situação de pobreza” e apontou a precarização do trabalho como “o maior problema”.

Cerca de 30.000 empresas fecharam desde que o autodenominado “anarcocapitalista” chegou ao poder, e o desemprego subiu para 7,9%, o nível mais alto desde 2021. Quase metade da população economicamente ativa está na informalidade.

A pobreza afeta com maior intensidade as crianças. Segundo o Indec, 44,5% das crianças de até 14 anos são pobres, das quais 10,8% vivem na indigência.

‘Milei é um ótimo exemplo’, diz assessora econômica de Flávio Bolsonaro

Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, disse, no último dia 14 de setembro, que a política econômica de Javier Milei, presidente da Argentina, é um exemplo a ser seguido pelo Brasil.

“Flávio fez uma orientação para a equipe, para a gente trabalhar na revogação e voltar atrás em todos os impostos criados ou elevados pelo Haddad. Já temos mais de mil normas mapeadas para revogar, usando um pouco de inspiração no que foi feito no governo Milei na Argentina”, afirmou a ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro, durante evento do grupo Esfera.

“Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”, completou a assessora de Flávio.

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