Flávio descreve Willer Tomaz como amigo e fala em ‘perseguição’ por ‘aparelhamento do Estado’; Tomaz é investigado em esquema bilionário de fraudes no INSS

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O senador Flávio Bolsonaro - Vitor Souza - 9.mai.26/AFP

por Estadão e g1

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, voltou a dizer nesta sexta-feira (25) que a viagem que fez da Flórida a Brasília, em 19 de janeiro de 2025, não teve nada de irregular e que a situação estaria sendo usada para tentar “criminalizar relações pessoais”. Em agenda no Rio de Janeiro, ele reafirmou que a aeronave pertencia ao advogado Willer Tomaz, a quem descreveu como um amigo próximo e “respeitadíssimo”, e disse que Willer estaria sendo perseguido pelo “aparelhamento do Estado montado por Lula”.

“Ele está sendo perseguido, como várias pessoas estão sendo perseguidas, por terem proximidade comigo. Há um aparelhamento de toda a máquina do Estado feito por Lula. É Supremo Tribunal Federal aparelhado, é Ministério Público aparelhado, é Polícia Federal aparelhada, até Defensoria Pública aparelhada. Todo mundo mobilizado para perseguir qualquer pessoa no meu entorno”, disse o candidato a jornalistas, ao participar da cerimônia do curso de formação de praças da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

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Flávio Bolsonaro afirmou que não foi a primeira vez que viajou com Willer e ressaltou a relação de convivência entre as famílias – esposas e filhos – para reforçar que se trata de uma amizade antiga, e não de algo suspeito.

“Não tem absolutamente nada de errado e não dá para querer criminalizar a amizade agora. Eu tenho certeza que daqui até o dia da eleição vocês vão ver muitas e muitas mentiras e fake news produzidas pelo PT”, sustentou o candidato. “Uma viagem em família, a convite dele. Não tem absolutamente nada a ver com Vorcaro. Se estão partindo da premissa de que ter cota de avião é ser dono de avião, então, viajei com dono do avião, que é Willer. Não tem nada a ver com Vorcaro”, frisou o candidato ao Planalto.

O advogado Willer Tomaz é investigado pela Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes em benefícios do INSS (leia mais abaixo).

Segundo a PF, Willer é suspeito de ter atuado na lavagem dos recursos em investigação que mira o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e familiares dele.

Tentativas para falar com Vorcaro

Ao ser questionado por jornalistas sobre as tentativas de falar com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro nos dias 13, 14, 15 e 16 de novembro de 2025, logo antes da primeira prisão do empresário em 17 de novembro de 2025, o candidato minimizou a situação. “Queria falar com Vorcaro mais do mesmo, que é do filme ‘Dark Horse’.”

Operação Sem Desconto

A Operação Sem Desconto é uma investigação da Polícia Federal e da CGU sobre um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Ela foi deflagrada em 23 de abril de 2025.

O vínculo de Willer Tomaz com a Operação Sem Desconto aparece principalmente a partir da relação dele com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que já havia sido alvo da operação.

Em agosto, Tomaz foi alvo de busca e apreensão porque os investigadores passaram a apurar possíveis movimentações financeiras e patrimoniais usadas para ocultar recursos ligados ao senador.

A PF descreveu Tomaz como uma espécie de estrutura de sustentação financeira e patrimonial a Weverton, envolvendo empresas, imóveis, aeronaves e outros operadores.

A Polícia afirma que a conta pessoal da esposa do senador, Samya, era considerada alternativa para o recebimento de valores elevados e que ela teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a Willer Tomaz em 2024.

De acordo com a investigação, uma das estratégias para ocultar o dinheiro desviado de aposentados e pensionistas seria a compra de imóveis. A Polícia Federal aponta uma casa como propriedade de Weverton.

A PF diz que ela foi adquirida por R$ 6 milhões e registrada em abril de 2023 em nome de uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz.

Prisão em 2017

Willer Tomaz chegou a ser preso em 2017, suspeito de tentar interferir nas investigações da Operação Greenfield, que apurou fraudes em fundos de pensão.

A investigação que deu origem a uma operação sobre fraudes no INSS começou depois que a PF analisou um celular do senador Weverton Rocha que foi apreendido em dezembro — quando ele foi alvo de mandados de busca. Segundo investigadores, ele usou parentes no esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de bens.

O que diz o advogado

Em nota, Willer Tomaz negou que a aeronave seja de Daniel Vorcaro e disse desconhecer o ex-banqueiro.

“Willer Tomaz não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio, de qualquer natureza. A venda da cota de terceiro à Prime You ocorreu sem o conhecimento e sem a anuência de Willer Tomaz. Ao tomar ciência, em abril de 2026, denunciou o contrato e está desde então em litígio com a Prime You”.

Ele também negou ser investigado por desvios no INSS.

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