Amigo de Flávio, Willer Tomaz e Blaze combinaram driblar regulamentação de bets, revela PF: “Como em Las Vegas”
Por Ivan Longo, na Revista Fórum

A Polícia Federal (PF) investiga o advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro por meio de apostas em plataformas de jogos online, as chamadas bets, incluindo a Blaze. O caso veio à tona depois que o próprio Tomaz apresentou à Justiça de São Paulo um comprovante anual da Blaze registrando R$ 4,8 bilhões em ganhos e quase R$ 5 bilhões em perdas em 2025, em ação na qual pede R$ 20 milhões de indenização à plataforma. Diálogos transcritos pela PF, revelados pelo jornalista Demétrio Vecchioli no site Metrópoles, mostram que Tomaz e a Blaze combinaram ativamente formas de contornar a regulamentação federal de apostas online. O advogado nega qualquer irregularidade.
Segundo as investigações, Willer Tomaz movimentou em bets, somente em 2025, cerca de R$ 10 bilhões. O acumulado movimentado pelo advogado em apostas online, até junho de 2026, chega a R$ 13 milhões.
Documentos juntados aos autos pela Blaze mostram que Willer, que movimentou cerca de R$ 10 bilhões em apostas on-line somente em 2025, chegou a um acumulado de R$ 13 bilhões em junho de 2026.
PF investiga lavagem de dinheiro e esquema com a Blaze
A investigação da PF mira a origem dos recursos que Willer Tomaz utilizou nas apostas. O ponto de partida da apuração é o comprovante anual da Blaze que o próprio advogado juntou a um processo judicial movido por ele contra a plataforma: o documento registra R$ 4,8 bilhões em ganhos e quase R$ 5 bilhões em perdas ao longo de 2025, com resultado líquido negativo de R$ 163,2 milhões.
A PF quer saber de onde vieram os recursos que alimentaram esse volume de apostas. As cifras representam o acumulado de sucessivas rodadas, incluindo valores ganhos e reinvestidos em novas apostas, o que significa que os quase R$ 5 bilhões em perdas não correspondem necessariamente ao total efetivamente depositado por Tomaz na plataforma. Ainda assim, as movimentações chamaram a atenção dos investigadores e motivaram a abertura de uma frente específica de apuração por lavagem de dinheiro.
Diálogos revelam manobras para driblar regulamentação
As conversas entre Willer Tomaz e o concierge da Blaze, transcritas em ata notarial e reveladas pela coluna Demétrio Vecchioli no Metrópoles, mostram que os dois combinavam práticas para contornar a regulamentação federal de apostas online. Em um dos diálogos, Tomaz relatou ao atendente que estava sofrendo questionamentos de bancos e órgãos reguladores pelo volume excessivo de transações em sua conta. “Existe alguma solução? Talvez criar uma linha de crédito para fazer uma única transação mensal? Assim como faço com os cassinos em Las Vegas”, questionou o advogado.
O gerente VIP da Blaze respondeu com uma sugestão abertamente fora do arcabouço legal: “Você teria interesse em fazê-los por meio de criptomoedas? Dessa forma, não ficamos presos a determinados limites e podemos movimentar valores maiores por depósito e saque.” Tomaz aceitou, segundo os registros citados pelo Metrópoles, ainda que não pudesse alegar desconhecimento da norma federal, que exige transferências eletrônicas exclusivamente entre contas cadastradas em instituições autorizadas pelo Banco Central. O advogado atuava como defensor da empresa responsável pela intermediação de pagamentos da Blaze no Rio de Janeiro.
A plataforma também dispensou Tomaz do reconhecimento facial para saques, outra exigência da legislação federal, após reclamações do advogado sobre a dificuldade e o tempo de espera nos primeiros dias do mercado regulamentado.
Willer Tomaz nega irregularidades
Willer Tomaz negou qualquer irregularidade. “Os valores divulgados não correspondem à realidade”, afirmou. Segundo ele, todas as movimentações ocorreram em sua própria conta bancária, “de forma transparente e rastreável, sem qualquer ocultação ou dissimulação de origem ou destino de recursos”, e classificou o assunto como “de natureza estritamente pessoal”.
O caso se soma a outra investigação da PF da qual Tomaz já é alvo: uma operação sobre supostas fraudes em descontos de aposentadorias e pensões do INSS. O advogado também é apontado como amigo do senador Flávio Bolsonaro e foi um dos proprietários do jato utilizado pelo senador em uma viagem aos Estados Unidos em 2025, conforme mostrou a Fórum.


