Analista diz que médico brasileiro que trabalha em Portugal a humilhou por voto em Lula
Montagem: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à esq., e o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) - 11.fev. 2026 Ricardo Stuckert e Gabriela Biló/Divulgação e Folhapress
por coluna Mônica Bergamo, Folhapress
A analista financeira brasileira Ana Paula Felício, 48, afirma que um médico brasileiro a humilhou em Portugal por ela ter dito que votou no presidente Lula (PT).
O episódio ocorreu na quinta-feira (29), no Hospital de Cascais Dr. José de Almeida, na cidade de Cascais, a 30 quilômetros de Lisboa. Ana Paula afirma que vai denunciar o caso à polícia e que fez no mesmo dia uma reclamação formal no hospital.
Durante o atendimento, a analista diz que o médico Roberto Guida perguntou sobre o motivo de ela anotar tudo o que ele falava. Ana Paula respondeu que estava nervosa por seu problema de saúde e optou por escrever para poder relatar detalhes da consulta ao marido e não esquecer de nada —ela pediu à coluna que não fosse divulgado o seu diagnóstico.
Ainda segundo Ana Paula, o médico teria questionado se ela não tinha seguro-saúde. Diante da negativa, o profissional teria ficado indignado.
“Ele falou: Como não tem? Vocês são uns ‘lambões’ [gíria para preguiçosos e desleixados]'”, diz. “Expliquei que ficamos entre o Brasil e Portugal e temos plano de saúde no Brasil. Ele virou e disse: ‘Você tem cara de ter votado no Lula’.”
Ana Paula afirma que respondeu que, sim, tinha votado no Lula com muito orgulho e rebateu afirmando que ele aparentava ser bolsonarista.
“Ele respondeu: ‘Sou, sim, graças a Deus. Eu vim para cá [para Portugal] com tudo, não tenho mais nada no Brasil. Nem transferi meu título para votar e quero que o Brasil se exploda'”, afirma ela.
A analista financeira afirma que Guida seguiu sendo agressivo. “Para toda pergunta que eu fazia, ele me dava uma resposta ríspida.”
Procurado pela coluna, o médico negou motivação política e que tenha humilhado ou sido agressivo com a paciente. “Fui gentil, assertivo e dei todas as orientações necessárias, inclusive, falei que com dois exames ela poderia ter praticamente 100% de certeza sobre a condição dela.”
“Tenho minha consciência tranquila que presto o melhor atendimento possível e nunca tive nenhum problema com meus pacientes portugueses, africanos, asiáticos ou brasileiros, pois lá atendemos todas as nacionalidades. Fico triste que uma brasileira tenha esse tipo de visão por conta de preferência política.”
Ele também afirma que foi Ana Paula quem perguntou sobre quem ele votou. “Expliquei que, se votasse seria no Flávio, mas não transferi meu título, pois estava decepcionado com tudo de errado no Brasil. Ela fez questão de dizer que votou no Lula e não comentei a opinião dela porque cada um tem a sua e só manifestei a minha porque ela perguntou.”
Guida complementa que recebeu uma mensagem via WhatsApp do marido dela, Luís Humberto Carrijo, dizendo que ele era um “bolsonarista nojento” e que iria pagar por ter humilhado a sua esposa.
O médico respondeu pedindo desculpas e que não levaria em consideração os xingamentos, “pois imagino que esteja irritado, mas posso garantir que houve uma má interpretação do contexto por parte da sua esposa. Deixo novamente minhas sinceras desculpas.”


