Ato na USP: Bolsonaro é criticado por “ataques infundados” às eleições

0
image(10)

Ato na USP. Foto: Fábio Vieira/Metrópoles

Por Gabriela Marçal

São Paulo – Uma segunda carta em defesa da democracia, desta vez elaborada por acadêmicos da Universidade de São Paulo, foi apresentada no início da tarde da quinta-feira (11/8) em ato organizado na Faculdade de Direito da USP, na capital paulista. A manifestação mobilizou uma multidão no centro da cidade e terminou em coro contra o presidente Jair Bolsonaro.

O documento não menciona o nome do presidente Bolsonaro, mas faz críticas diretas à conduta do chefe de Estado brasileiro, com referências, por exemplo, às críticas feitas por ele ao processo eleitoral do país.

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow

“Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições”, diz a carta da USP, lida em conjunto por integrantes da universidade.

Carta pela democracia é lida em ato na USP
Carta pela democracia é lida em ato na USP

Carta pela democracia é lida em ato na USP

Carta pela democracia é lida em ato na USP
Da esquerda para direita: Maria Arminda do Nascimento Arruda (vice-reitora da USP), Carlos Gilberto Carlotti Junior (reitor da USP), Celso Fernandes Campilongo (diretor da Faculdade de Direito) e Ana Elisa Liberatore Silva Bechara (vice-diretora da Faculdade de Direito)

Carta pela democracia é lida em ato na USP

Carta pela democracia é lida em ato na USP
Evento contou com a participação de estudantes, intelectuais, economistas, empresários e sindicalistas

Carta pela democracia é lida em ato na USP

Carta pela democracia é lida em ato na USP
Fernando Haddad

O evento contou com a participação de estudantes, intelectuais, economistas, empresários e sindicalistas. Entre eles estavam o candidato do PT ao governo do estado de São Paulo, Fernando Haddad, o ex-senador Aloysio Nunes, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina.

Ao longo do ato, os discursos recordaram a violência da ditadura no Brasil e defenderam o Estado Democrático de Direito, assim como a autonomia dos três poderes: Legislativo, Judiciário e Executivo.

“Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional”.

Carta de entidades

Na mesma manifestação, houve também a leitura da carta em defesa da democracia assinada por mais de 100 entidades, entre elas a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

“Não podemos admitir que um presidente da República não respeite a Constituição que ele jurou respeitar”, disse Miguel Torres, presidente da Força Sindical. “Não é um ato simbólico, é um ato concreto em defesa da democracia”, continuou o sindicalista.

Reação do público

A carta da USP foi lida por três professoras da universidade: Eunice Aparecida de Jesus Prudente, Maria Paula Dallari Bucci e Ana Bechara; e contou ainda com a participação do advogado Flávio Bierrenbach.

Durante a leitura da carta, no Pátio Arcadas da Faculdade de Direito, a multidão presente gritou em coro “Fora, Bolsonaro” e “Ditadura nunca mais”. O público também se manifestou a favor do ex-presidente Lula, cantando o jingle de campanha do candidato do PT à Presidência .

Leia a íntegra da carta da USP:

Em agosto de 1977, em meio às comemorações do sesquicentenário de fundação dos Cursos Jurídicos no País, o professor Goffredo da Silva Telles Junior, mestre de todos nós, no território livre do Largo de São Francisco, leu a Carta aos Brasileiros, na qual denunciava a ilegitimidade do então governo militar e o estado de exceção em que vivíamos. Conclamava também o restabelecimento do estado de direito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

A semente plantada rendeu frutos. O Brasil superou a ditadura militar. A Assembleia Nacional Constituinte resgatou a legitimidade de nossas instituições, restabelecendo o estado democrático de direito com a prevalência do respeito aos direitos fundamentais.

Temos os poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal.

Sob o manto da Constituição Federal de 1988, prestes a completar seu 34º aniversário, passamos por eleições livres e periódicas, nas quais o debate político sobre os projetos para o País sempre foi democrático, cabendo a decisão final à soberania popular.

A lição de Goffredo está estampada em nossa Constituição “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral.

Nossa democracia cresceu e amadureceu, mas muito ainda há de ser feito. Vivemos em um País de profundas desigualdades sociais, com carências em serviços públicos essenciais, como saúde, educação, habitação e segurança pública. Temos muito a caminhar no desenvolvimento das nossas potencialidades econômicas de forma sustentável. O Estado apresenta-se ineficiente diante dos seus inúmeros desafios. Pleitos por maior respeito e igualdade de condições em matéria de raça, gênero e orientação sexual ainda estão longe de ser atendidos com a devida plenitude.

Nos próximos dias, em meio a estes desafios, teremos o início da campanha eleitoral para a renovação dos mandatos dos legislativos e executivos estaduais e federais. Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando a convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos.

Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições.

Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional.

Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito. Aqui, também não terão.

Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar de lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática.

Imbuídos do espírito cívico que lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos as brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições.

No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições.

Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona:

Estado Democrático de Direito Sempre!!!!

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...

cropped-AMBIPAR-BANNER
previous arrow
next arrow