BC diz ao TCU que acionou MPF por indícios de fraudes do Master com Reag, investigada por elo com PCC

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Fachada do Banco Master na cidade de Ssão Paulo, na terça-feira, 18 de novembro de 2025. — Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo

por Folha de S.Paulo

O Banco Central enviou ao TCU (Tribunal de Contas da União) um relatório sobre operações suspeitas atribuídas ao Banco Master. Segundo informações do documento obtidas pela Folha, o regulador acionou o Ministério Público Federal após identificar indícios de fraude em negócios do banco de Daniel Vorcaro com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

O relatório do BC em poder do TCU aponta que, entre julho de 2023 e julho de 2024, Master e Reag estruturaram operações com falhas graves, em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional.

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Essas transações fazem parte de um conjunto de operações estruturadas do Master com fundos no montante de R$ 11,5 bilhões, sendo dois ligados à Reag. É a segunda denúncia feita pelo BC ao MPF apontando indícios de irregularidades na atuação do Master – a primeira foi a revenda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes, segundo os investigadores, ao BRB.

O BC indicou ao TCU inadequado gerenciamento de capital e risco, negócios sem garantia, liquidez, e diversificação, agravando a crise e justificando processos administrativos sancionadores, em fase de instrução.

A Reag foi um dos alvos da Carbono Oculto —operação realizada em agosto, que mira a relação entre setor de combustíveis, PCC e empresas financeiras. Procurada pela reportagem na tarde de terça-feira (30), a empresa negou, em nota, elo com o PCC e informou que não teve acesso ao relatório do BC e , “por isso, não responde ao questionamento sobre a relação com o Master”.

Uma das suspeitas, segundo pessoas a par das informações do Banco Central, é que os fundos teriam sido usados para pulverizar recursos em nome de terceiros, “laranjas”. Entre os fundos citados, estariam o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, administrados pela Reag. Em outra frente, esses recursos teriam sido realocados na tentativa de venda do Master para o BRB (Banco de Brasília).

A suspeita é que um dos beneficiários desses fundos seria o próprio Vorcaro, segundo os achados entregues ao MPF. Procurado, Vorcaro e o Master não se manifestaram.

O documento do BC afirma que o gerenciamento dos riscos de crédito e de liquidez pelo Master nesses fundos foi considerado “inadequado ou inexistente”. Não havia, segundo o BC, um acompanhamento real da composição dos ativos líquidos nos fundos.

“Adicionalmente, o Banco Master operou, por determinado período, com insuficiência de capital, devido à adoção incorreta de Fatores de Ponderação de Risco (FPRs) dessas operações”, verificou o BC.

As inconsistências e irregularidades narradas foram reportadas ao TCU, onde o processo corre sob sigilo por determinação do relator, Jhonatan de Jesus.

Em outro trecho, o BC informa a data da comunicação ao MPF. Foi na véspera de decretar a liquidação do Master, anunciada em 18 de novembro.

“Em 17 de novembro de 2025, houve nova comunicação ao MPF por indícios de crimes de desvio de recursos e gestão fraudulenta. Tratava-se de operações estruturadas no montante de R$ 11,5 bilhões, que revelaram inadequado gerenciamento de capital e risco, com negócios sem garantia, liquidez, e diversfiicação, agravando a crise e justificando processos administrativos sancionadores, que se encontram em fase de instrução”, diz o documento enviado pelo BC ao TCU.

O processo em andamento no TCU apura falhas e omissões do Banco Central no caso Master e pode se transformar em trunfo para Vorcaro escapar de uma eventual condenação criminal e evitar ser forçado a fechar uma delação premiada no futuro.

Ministros e técnicos do tribunal de contas, ouvidos pela reportagem na condição de anonimato, avaliam que a corte tem poder legal para investigar a atuação do BC, mas há uma divisão entre eles sobre a força do TCU para anular a liquidação do Master, decretada pelo órgão regulador do sistema bancário brasileiro em novembro passado.

Nesta terça, Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, foram ouvidos pela Polícia Federal. Vorcaro e Costa foram depois submetidos a uma acareação por causa de versões conflitantes.

Os depoimentos ocorreram presencialmente na sede do STF (Supremo Tribunal Federal) e foram acompanhados por um membro do Ministério Público e por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator das apurações sobre o Master na corte.

O processo no qual ocorreram os depoimentos é sigiloso. Desde o começo de dezembro, diligências e medidas ligadas à investigação sobre o Master e Vorcaro têm que passar pelo crivo de Toffoli, por decisão do próprio magistrado.

A investigação sobre a tentativa de venda do Master apontou que, antes mesmo da formalização do negócio, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o BRB —R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios, o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus.

Em nota, enviada na noite da quarta-feira (31), a Reag negou conexão com o PCC.
“Não existe, em nenhuma das milhares de páginas produzidas e encaminhadas à Justiça pelo Ministério Público, pela Receita Federal ou pela Polícia Federal, qualquer menção que estabeleça conexão entre a Reag e o PCC”, afirmou.

“Desde o início das apurações relacionadas à Operação Carbono Oculto, a Reag tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo informações, documentos e acesso aos seus sistemas sempre que solicitado”, acrescentou.

“Essa postura transparente já é de conhecimento do Ministério Público e da Polícia Federal.
A Reag permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais, reafirmando seu compromisso com a conformidade regulatória e a integridade de suas operações.”

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