Brasil ergue barreira para tentar proteger eleição de interferência dos EUA, diz New York Times
por Folhapress

Autoridades brasileiras vêm adotando medidas para tentar proteger o processo eleitoral no país de uma possível interferência dos Estados Unidos, segundo reportagem publicada pelo jornal americano The New York Times na segunda-feira (28). Entre as iniciativas estão o monitoramento de lobby estrangeiro e de campanhas de desinformação, o combate a acusações falsas sobre fraude eleitoral e a articulação com outras nações relacionada a medidas a serem adotadas após a divulgação do resultado do pleito.
O governo brasileiro mantém conversas informais com missões diplomáticas de Canadá, Japão e Austrália, além de países da União Europeia, sobre uma resposta conjunta após a votação, de acordo com o jornal. Três diplomatas estrangeiros de alto escalão ouvidos pelo New York Times sob a condição de anonimato disseram que essas nações devem defender de forma rápida a integridade da eleição, independentemente de quem vencer, embora também exista preocupação em desagradar Washington.
Ainda segundo o jornal americano, as agências de inteligência brasileiras passaram a tratar como prioridade o combate à manipulação estrangeira nas redes sociais. A publicação informa que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também estabeleceu novas regras para enfrentar a desinformação eleitoral e pediu que empresas como Google e Meta apresentassem planos para combater vídeos e publicações enganosas produzidos com inteligência artificial.
Em paralelo, autoridades brasileiras iniciaram uma campanha para reforçar a confiança no sistema eleitoral entre população, diplomatas e observadores internacionais, aponta a publicação. A iniciativa inclui campanhas com influenciadores digitais e até um mascote em formato de urna eletrônica.
O New York Times menciona também o workshop organizado em agosto pelo TSE sobre o sistema eleitoral brasileiro para mais de 80 diplomatas. Na ocasião, o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, afirmou que a corte havia “aberto as portas ao mundo” e se dedicado a “desmantelar todos os argumentos” contra a confiabilidade das eleições.
O temor de interferência ganhou força diante da atuação do presidente americano, Donald Trump, em eleições de outros países da América Latina. O New York Times aponta que candidatos de direita alinhados a Washington venceram disputas na região com endosso explícito de Trump.
O governo Trump rejeita as acusações de que estaria tentando interferir na eleição do Brasil. Autoridades brasileiras, por sua vez, disseram ao New York Times que uma eventual ajuda americana a Flávio Bolsonaro poderia ocorrer com novas medidas destinadas a prejudicar a imagem de Lula.
No ano passado, Trump impôs sanções contra autoridades brasileiras e determinou a aplicação de tarifas de 50% ao país, entre as mais altas do mundo.
Segundo a publicação do jornal americano, foram entrevistados para a reportagem mais de uma dezena de funcionários do governo e do setor eleitoral brasileiros, policiais, agentes de inteligência e diplomatas estrangeiros.


