Brasil pedirá aos EUA redução de alíquotas e mais exceções ao tarifaço, diz ministro
Da esq. para dir., ao fundo, os ministros Sidônio Palmeira (Secretária de Comunicação) e Dario Durigan (Fazenda); à frente, ministro Márcio Elias Rosa (Indústria), chanceler Mauro Vieira (Relações Exteriores) e o vice-presidente Geraldo Alckmin a caminho da entrevista a jornalistas na quinta-feira (16) - Gabriela Biló/Folhapress
O Brasil pedirá aos EUA a redução de alíquotas e a ampliação da lista de exceções ao tarifaço de 37,5% aplicado pela Casa Branca, afirmou nesta quinta-feira (30) o ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
“[Também vamos fazer a] rediscussão do mérito, que é muito improvável”, disse ele a jornalistas durante evento da ApexBrasil.
O governo brasileiro espera retomar os contatos com os Estados Unidos no mês de agosto, quando já estiver plenamente em vigor o tarifaço aplicado este mês. “Se eles não nos procurarem, nós os procuraremos”, afirmou Elias Rosa. Ele esclareceu, no entanto, que ainda não há uma reunião bilateral marcada.
Segundo Elias, o time brasileiro se comprometeu com o chefe do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), Jamieson Greer, a seguir na mesa de negociações mesmo após uma eventual aplicação das tarifas.
“A última reunião que nós tivemos foi no dia 14 de julho, véspera do primeiro anúncio do tarifário […] de 25%. A reunião terminou com o compromisso recíproco de que nós voltaríamos a conversar”, disse.
No último dia 15, a Casa Branca anunciou uma nova alíquota de 25% sobre os produtos brasileiros, atingindo cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA, ou algo como US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões) em mercadorias, nas contas do governo.
Na semana seguinte, o governo americano aplicou ainda outra tarifa contra o Brasil, desta vez com alíquota de 12,5% e por suposta leniência no combate à importação de produtos produzidos com trabalho escravo. A diferença é que a nova sobretaxa atinge, com alíquotas levemente diferentes, outras 59 economias.
Representantes do governo brasileiro aproveitaram o evento da Apex sobre agronegócio nesta quinta para enfatizar a abertura de novos mercados num momento de crescimento de barreiras tarifárias e regulatórias.
Além das tarifas americanas, que em grande medida pouparam o agronegócio exportador, os produtores brasileiros enfrentam o veto à entrada da carne brasileira na União Europeia, que deve vigorar a partir de setembro, e as cotas chinesas à importação de carne bovina.
“[Há] um redesenho das cadeias globais de suprimento, um recrudescimento de tensões comerciais, a erosão das normas multilaterais de comércio e o crescente recurso a medidas tarifárias unilaterais, arbitrárias e injustificadas”, afirmou o embaixador Alex Giacomelli da Silva, secretário de Promoção Comercial do Itamaraty.
O governo Lula (PT) promete chegar ao fim do mandato com 700 novos mercados abertos (foram 660 até agora, segundo as contas oficiais).
por Folhapress


