Campina Grande, 162 anos: crescimento da cidade aumenta desafios na mobilidade urbana

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Por g1 PB

O Açude Velho se tornou um cartão postal e patrimônio cultural de Campina Grande — Foto: Divulgação
O Açude Velho se tornou um cartão postal e patrimônio cultural de Campina Grande — Foto: Divulgação

O município de Campina Grande, no Agreste da Paraíba, celebra 162 anos de emancipação política neste domingo (11). Atualmente a cidade abriga cerca de 440 mil moradores e, somente nos últimos quatro anos, 254 novas ruas foram oficializadas e 629 Códigos de Endereçamento Postal (CEPs) cadastrados. A cidade continua crescendo e a expansão traz desafios a serem superados, como o da mobilidade urbana.

Segundo a Prefeitura Municipal de Campina Grande, os bairros Três Irmãs, Serrotão e Malvinas concentram a maior expansão urbana. O crescimento não é vertical, com maior número de prédios, mas horizontal, registrando novos loteamentos e residenciais.

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A cidade vive um momento de transição, com a expansão horizontal começando a atingir os limites geográficos do município, e o novo Plano Diretor passou a priorizar e incentivar o crescimento vertical e a concentração dos habitantes na área central e em bairros consolidados.

A professora e pesquisadora Lívia Miranda, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), explica que em cidades intermediárias, a estrutura urbana não acompanhe o crescimento populacional

“As cidades foram sendo construídas sem um planejamento prévio. E hoje você precisa de avenidas mais largas onde você possa separar os diferentes modais. Por exemplo, você tem cidades em que o ônibus tem a sua faixa, o carro particular tem a sua faixa, a bicicleta tem a sua faixa. E o nosso sistema viário não comporta isso. Então, tudo fica misturado e aí é mais difícil você disciplinar esse trânsito quando você tem um número cada vez maior de veículos particulares circulando”, diz.

Ainda de acordo com a pesquisadora, Campina Grande tem algumas características que são muito particulares, que se refletem na mobilidade urbana. A primeira, é que é uma cidade universitária.

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Instituto Federal da Paraíba (IFPB) e as instituições particulares atraem um grande número de pessoas para o município durante o período dos cursos.

Além disso, a pesquisadora também destaca a segunda característica, que é o fenômeno da plataformização. Atualmente, as pessoas estão passando a utilizar mais o transporte por aplicativo do que o transporte público.

Para Lívia Miranda, é preciso fortalecer o transporte coletivo para diminuir a dependência do transporte individual, que é uma coisa muito difícil nas cidades brasileiras.

“A solução para isso é, antes de tudo, uma oferta de transporte coletivo maior e de mais qualidade, como por exemplo, na Europa. As pessoas poderiam utilizar menos o transporte particular se elas tivessem à disposição o transporte coletivo”, argumenta e cita opções como o metrô, o VLT e o BRT como outras alternativas.

O coordenador de trânsito Daniel Araújo, da Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP), informou que a Prefeitura de Campina Grande está ciente dos desafios da mobilidade urbana e está viabilizando a abertura de novas vias para fazer o trânsito fluir da melhor forma.

“Sabemos que existem ainda gargalos atualmente e nós estamos com equipes tanto aqui na nossa central de monitoramento, bem como em parceria com o CICC, avaliando cada situação, cada ponto crítico, cada horário e demandando equipes para fazer o devido ajuste”, informou.

Ainda para solucionar a questão do trânsito, há um projeto de semáforo inteligente para ser desenvolvido. O equipamento vai destinar mais tempo de verde exatamente para aquelas vias que estejam com fluxo mais intenso naquele momento. Além disso, para criar novas rotas entre bairros, haverão aberturas de passagem de nível do VLT.

“Nós acreditamos que com as devidas sinalizações indicativas, com a criação de novas rotas, aberturas de novas ruas, a gente vai conseguir diluir mais esse trânsito. Acreditamos também que com a vinda do VLT vai haver uma melhora na questão do sistema de transporte coletivo, criando novas rotas e novas conexões”, afirmou.

Como o trânsito afeta a população?

O motorista por aplicativo Felipe afirma que desde 2020 percebeu um aumento populacional em Campina Grande. Atualmente, ele gasta cerca de duas a quatro horas só preso no trânsito para fazer as entregas, principalmente quando os percursos passam pelo Centro da cidade.

Já o estudante Erick Peterson utiliza em média de 4 a 6 ônibus por dia para se locomover entre a faculdade e o trabalho. Ele relata atrasos nos ônibus e mudanças de rotas devido à obras, que muitas não são informadas aos passageiros.

“Acabam influenciando nos seus afazeres pessoais, que requer um preparo, tendo em vista que você tem que acordar mais cedo para que você chegue nos seus compromissos no horário previsto”, disse.

Adalberto Vieira, motociclista, cita buracos e má sinalização como um dos problemas enfrentados por quem utiliza as vias do município.

Apesar dos desafios, Campina Grande segue sendo destino de famílias. O empresário André Queiroz deixou São Paulo após a pandemia e escolheu Campina Grande para reconstruir a vida junto da esposa Marisa e da filha Karla. A cultura e o acolhimento foram pontos principais para a decisão.

“Campina Grande é uma cidade que tem assim um equilíbrio da tranquilidade com o movimento e a estrutura de uma cidade grande”, destaca Marisa.

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