Criticado pelo governo americano por exportação de cocaína, Brasil triplicou apreensão de maconha e haxixe vindas dos EUA

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por O Globo

Carga vinda dos EUA apreendida no Paraguai
Carga vinda dos EUA apreendida no Paraguai — Foto: Reprodução / Senad

Classificado como um “centro de distribuição global de cocaína” pelos Estados Unidos em um documento oficial divulgado na quarta-feira (16), o Brasil registrou um aumento de 222% nas apreensões de maconha e haxixe provenientes dos EUA. Segundo a Polícia Federal, entre 2024 e 2026, o total de ambas as drogas apreendidas após saída do território americano passou de 236,4kg para 761kg no período.

A PF revelou que em 2024 foram apreendidos 196kg de haxixe e 40,4kg de maconha em aeroportos brasileiros. Em 2025, o número de ambas as drogas subiu para 534,3kg e 67,2kg, respectivamente. Em 2026, a apreensão de haxixe cresceu em 39,3%, indo para 744,2kg, enquanto a de maconha caiu para 16,8kg.

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Tanto a maconha quanto o haxixe são derivados da planta cannabis. No entanto, o haxixe é feito a partir da resina da planta que possuí um teor de THC ( substância psicoativa) bem mais alto, o que torna os seus efeitos mais potentes do que os da maconha.

Ao GLOBO, um delegado da PF afirmou que a droga vinda do país americano tem forte consumo entre os brasileiros:

— O brasileiro está consumindo fortemente a maconha norte-americana. Assim como a colombiana e a paraguaia, produzidas no Nordeste e no Norte do país.

De acordo com o delegado, uma das rotas de chegada das drogas vinda dos EUA é pelo Paraguai.

Em junho, agentes da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai deflagraram a “Operação Air Box”, que identificou uma organização de tráfico de maconha com o destino final sendo o Brasil. A investigação revelou que a quadrilha utilizava documentos falsificados para ocultar remessas originárias dos EUA, destinadas ao mercado brasileiro. Os pacotes eram declarados como obras de arte numa tentativa de burlar os controles de segurança e alfândega.

Maconhas eram transportadas como encomendas declaradas como obras de artes — Foto: Reprodução
Maconhas eram transportadas como encomendas declaradas como obras de artes — Foto: Reprodução

Na ação, foram apreendidas uma carga de 147,4kg de maconha, avaliada em cerca de US$ 2 milhões de dólares, e três pessoas foram presas.

O governo dos Estados Unidosensagem afirmou nesta quarta-feira que o Brasil falhou em “confrontar as organizações terroristas estrangeiras” Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), assim designadas por Washington este ano, apesar da resistência do governo brasileiro. Em m oficial ao Congresso, o presidente Donald Trump disse que tais grupos tornaram o país sul-americano um “centro de distribuição global de cocaína”.

Operação foi realizada em um hangar privado localizado na área do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi — Foto: Reprodução
Operação foi realizada em um hangar privado localizado na área do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi — Foto: Reprodução

De acordo com os investigadores, o avião havia partido de Miami e feito uma parada anterior no Panamá. A intervenção ocorreu quando várias malas eram descarregadas da aeronave para serem transportadas por um veículo terrestre com destino à capital paraguaia.

As autoridades estimam que a droga apreendida teria um valor de quase US$ 3,6 milhões no mercado brasileiro. A apreensão, segundo a Senad, representa um golpe econômico para organizações criminosas ligadas ao tráfico internacional de drogas.

‘Centro de distribuição global de cocaína’

O governo dos Estados Unidos afirmou nesta quarta-feira que o Brasil falhou em “confrontar as organizações terroristas estrangeiras” Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), assim designadas por Washington este ano, apesar da resistência do governo brasileiro. Em mensagem oficial ao Congresso, o presidente Donald Trump disse que tais grupos tornaram o país sul-americano um “centro de distribuição global de cocaína”.

Trump colocou o Brasil na contramão de “muitos governos” no Hemisfério Ocidental que “tomam medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar os cartéis”. Em vez disso, ressaltou o mandatário, a administração brasileira “falhou em confrontar as organizações estrangeiras designadas terroristas”.

“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa tomar urgentemente medidas enérgicas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, ressalta o texto.

Trata-se de um documento anual obrigatório que o presidente dos Estados Unidos envia ao Congresso do país, conforme a lei nacional. Não se trata de um tratado novo nem uma imposição de sanções. É uma lista de quais países os EUA consideram, para o ano fiscal de 2027, ser “grandes rotas de trânsito ou grandes produtores de drogas ilícitas”. O efeito prático não costuma ser imediato. Em geral, vale como sinal diplomático do posicionamento americano a respeito do tema e para perspectivas de “ajuda” e negociações de colaboração.

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