Doença celíaca também provoca sintomas neurológicos. Saiba quais

Foto: PhotoAlto/Frederic Cirou/ Getty Images

Por Danielle Souza

Muita gente acha que a doença celíaca, causada pela intolerância ao glúten – proteína presente em cereais como trigo, aveia e cevada -, afeta apenas o sistema gastrointestinal. Porém, o problema pode vir associado a sintomas neurológicos, como cefaleia, neuropatia periférica e ataxia.

Ataxias são sintomas de falta de coordenação. Pacientes com doença celíaca podem ter um processo inflamatório no cerebelo, levando à “incoordenação” da fala e dos movimentos dos braços ou pernas.

Já a neuropatia periférica acomete os nervos das mãos e dos pés. Ela muda a sensibilidade, como percepção ao toque, temperatura, vibração e, em alguns casos, altera até mesmo a força.

Cefaleia ou dores de cabeça associadas à doença celíaca estão relacionadas às citocinas inflamatórias. “O contato com o glúten desencadeia uma resposta sistêmica com produção de irradiadores inflamatórios que causam, por exemplo, os sintomas das dores de cabeça”, explica o neurocirugião Marcelo Valadares, médico do Hospital Israelita Albert
Einstein, de São Paulo.

Autoimune

A doença celíaca é autoimune e genética. De acordo com a gastroenterologista Danielle Kiatkoski, a doença celíaca atinge cerca de 1% da população mundial e o seu diagnóstico é um “desafio”.

“Devemos ressaltar que não estamos falando de uma doença intestinal. As repercussões clínicas podem ser sistêmicas, portanto a avaliação do paciente não se restringe a consultas com gastroenterologista e nutricionista. Todas as queixas devem ser valorizadas e investigadas”, afirma Danielle, que é conselheira técnica consultiva da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra).

É importante ressaltar que a doença celíaca se manifesta em qualquer idade e só existe um tratamento, que consiste na restrição alimentar. “Os pacientes precisam seguir uma dieta isenta de glúten e livre de contaminação cruzada – que consiste na transferência de contaminantes biológicos, como microrganismos patogênicos, entre alimentos, superfícies e materiais de produção”, afirma a médica

(*) Danielle Souza é estagiária do Programa Mentor e está sob supervisão da editora Maria Eugênia.

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