Entenda a operação secreta que tirou Trump da Turquia após ameaça iraniana

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por The New York Times

Homem de perfil, com terno azul e gravata vermelha, fala próximo à escada de embarque de um avião da United Airlines à noite.
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma entrevista coletiva após desembarcar do Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland – Kylie Cooper – 11.ago.26/Reuters

O presidente Donald Trump embarcou no Air Force One, o avião presidencial, em 8 de julho como parte de um plano secreto.

No último dia da cúpula da Otan na Turquia, Trump subiu a escada da aeronave que deveria levá-lo no primeiro trecho de sua viagem de volta para casa. Acenou para as câmeras e desapareceu dentro de um dos icônicos 747 azul-claro que servem como Air Force One há décadas. Em seguida, saiu secretamente da aeronave, escondido dentro de um contêiner usado para transportar refeições do serviço de bordo.

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Trump foi, então, levado a um jato militar para um voo que o levou para fora da Turquia. O Air Force One com jornalistas, autoridades da Casa Branca, assessores e outras pessoas a bordo decolou apesar do que foi considerado uma ameaça plausível do Irã contra a aeronave.

Foi uma manobra destinada a proteger o presidente americano que está na mira do Irã há anos.

A ameaça mais recente surgiu quando Trump começava seu último dia na Turquia. Segundo duas autoridades a par do assunto, os serviços de inteligência dos Estados Unidos captaram, durante a noite, múltiplas informações: os iranianos sabiam exatamente onde o republicano estava hospedado, inclusive em qual andar, e alguém nas proximidades da cúpula da Otan havia sido visto com um míssil.

As autoridades americanas começaram a elaborar um plano. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, teve papel fundamental na avaliação da ameaça e na decisão sobre como reagir.

Caine conhece bem esse tipo de tática: seu cargo anterior era o de representante do Pentágono junto à CIA. Ele ajudou a elaborar as táticas de despiste durante a Operação Midnight Hammer, quando forças americanas atacaram instalações nucleares iranianas em junho de 2025.

Nem todos os que estavam no avião sem Trump desconheciam a situação. O secretário de Estado, Marco Rubio, sabia da ameaça e viajou na aeronave depois de ajudar a planejar a operação para retirar o presidente do solo turco, segundo duas autoridades americanas. Elas falaram sob a condição de anonimato para tratar de um assunto delicado.

Entre as outras autoridades de alto escalão estavam o secretário do Tesouro, Scott Bessent; Steven Cheung, diretor de comunicação da Casa Branca; e Stephen Miller, vice-chefe de gabinete de Trump; além de vários outros funcionários da Casa Branca. Não ficou claro se todos sabiam da ameaça.

A elaborada farsa —noticiada primeiro pelo The Washington Post e que terminou sem que o Air Force One e o jato militar que transportava Trump sofressem qualquer dano— levantou questionamentos sobre os riscos assumidos para proteger o comandante em chefe.

Independentemente de os passageiros do avião deixado para trás por Trump saberem ou não da ameaça, eles foram expostos a riscos que o Serviço Secreto considerou grandes demais para o presidente.

Na noite de terça (11), em seus primeiros comentários sobre a operação, Trump disse que a decisão não havia sido dele. “Na verdade, isso cabe ao Serviço Secreto”, afirmou a jornalistas após retornar de Ohio. “Eu apenas sigo o que eles preferem fazer. Eles queriam que eu viajasse em outro voo, em outro avião, por segurança.”

Veja como tudo aconteceu

Antes de deixar a cúpula, Trump escreveu em suas redes sociais que, “pelos velhos tempos”, partiria a bordo do antigo Air Force One em vez do luxuoso 747-8 doado pelo Qatar.

Mais tarde, ele disse a jornalistas que enviaria o avião doado à Europa, para “duas ou três das grandes bases”, a fim de exibi-lo aos militares que estavam lá.

Trump, então, embarcou pela parte dianteira da aeronave mais antiga, diante das câmeras e dos veículos de imprensa. Os jornalistas que viajavam com ele, entre eles o fotógrafo do New York Times Doug Mills, embarcaram pela parte traseira e receberam instruções para manter as janelas fechadas.

Homem de terno azul sobe escada para entrar em avião com selo presidencial e parte da palavra 'UNITED' visível na fuselagem. Ele acena com a mão direita.
O presidente dos EUA, Donald Trump, embarca no Air Force One, a caminho da Base Aérea Conjunta Andrews, em Ohio – Kylie Cooper – 11.ago.26/Reuters

O que não se sabia naquele momento é que Trump aparentemente foi retirado daquele avião em um contêiner do serviço de bordo pelo lado oposto da aeronave.

Em seguida, foi levado a um terceiro avião, no qual voou de forma secreta para o Reino Unido. Essa terceira aeronave parece ter sido uma versão militar do Boeing 757 conhecida como C-32A, que estava estacionada ao lado do 747 Air Force One na Turquia.

Um vídeo do processo de partida mostra um contêiner do serviço de bordo sobre um caminhão afastando-se do antigo Air Force One e, em seguida, ao lado do C-32A.

Avião presidencial dos Estados Unidos estacionado em pista de aeroporto durante o dia. Veículos de serviço estão posicionados ao lado da aeronave, com plataformas elevatórias conectadas às portas de carga. O céu está claro e há uma torre de controle ao fundo.
O contêiner de serviço de bordo ao lado da fuselagem do Air Force One, na Turquia – Win McNamee – 8.jul.26/Getty Images via AFP

As imagens analisadas pelo New York Times não mostram o contêiner de forma clara e ininterrupta, mas, aparentemente, ele é transportado de caminhão da parte dianteira do antigo Air Force One até a parte traseira do C-32A.

O novo Air Force One de Trump, a aeronave doada pelo Qatar, chegou horas antes dos outros dois aviões à base militar de Mildenhall, na Inglaterra. Segundo transmissões ao vivo e fotografias daquela noite feitas por entusiastas da aviação e analisadas pelo New York Times, ele chegou às 18h26, no horário local. O C-32A chegou às 22h20, e o antigo Air Force One chegou nove minutos depois, às 22h29.

Não há dados de voo registrados do C-32A, pois seus transmissores não estavam enviando sua rota e suas coordenadas.

Homem de terno azul e gravata vermelha desce escada de avião presidencial à noite. Janela do avião e selo presidencial são visíveis ao fundo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, desembarca do Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland – Kylie Cooper – 11.ago.26/Reuters

Harry Moulton, fotógrafo de aviação que estava em Mildenhall e ouvia as transmissões do controle de tráfego aéreo em 8 de julho, disse ao New York Times que o Air Force One instruiu os controladores para que o C-32A pousasse primeiro.

Ao chegar a Mildenhall, Trump foi, então, levado também de forma secreta de volta ao antigo Air Force One. Segundo uma autoridade americana, o presidente foi transportado de carro do avião em que havia chegado até o antigo avião presidencial. Depois, embarcou por uma entrada diferente e desembarcou diante dos jornalistas, como normalmente faria.

Ele foi visto atravessando a pista, onde embarcou no avião doado pelo Qatar e voou de volta para Washington.

Homem de terno azul escuro e gravata vermelha caminha à noite em área gramada, acompanhado por três homens de terno preto. Fundo mostra cerca metálica e estrutura industrial iluminada.
O presidente dos EUA, Donald Trump, caminha após desembarcar do helicóptero Marine One, em Washington – Evelyn Hockstein – 11.ago.26/Reuters

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