Esforço concentrado no Senado dependerá de nova reunião entre Lula e Alcolumbre; governo vê dificuldade para aprovar pautas
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). — Foto: Ricardo Stuckert / PR
Por Valdo Cruz, g1 e GloboNews
A produtividade do esforço concentrado no Senado vai depender de uma nova reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), destinada a dar continuidade ao processo de pacificação entre os dois.
Na Câmara, como a relação do governo com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), está alinhada, a avaliação é que há possibilidade de aprovação de propostas de interesse do Palácio do Planalto.
No caso do Senado, a avaliação não é a mesma. Lula e Alcolumbre se encontraram na semana passada na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mas o encontro foi tratado como uma primeira etapa da reaproximação.
Dessa forma, a tramitação de pautas prioritárias do governo no Senado vai depender de um segundo encontro entre os dois.
Ainda assim, interlocutores de Lula consideram difícil aprovar em agosto:
- a PEC do fim da escala 6×1, que reduz a jornada de trabalho; e
- a PEC da Segurança Pública, proposta que amplia a participação da União e busca integrar ações de combate ao crime organizado entre os entes federativos.
Além dessas pautas, o governo está de olho em dois projetos de interesse do Planalto que vão começar a tramitar pela Câmara:
- a medida provisória (MP) que acabou com a chamada “taxa das blusinhas”, de 20% sobre a importação de produtos de até US$ 50, vista pelo governo como uma iniciativa de apelo popular; e
- o projeto que autoriza o uso do excesso de arrecadação com a venda de petróleo para segurar aumentos nos preços da gasolina e do diesel.
No caso da taxa das blusinhas, a medida foi uma decisão do presidente Lula para agradar uma faixa do eleitorado de menor renda, que reclamou da criação da cobrança sobre compras de pequeno valor em sites internacionais.
Mas há uma articulação de empresários para tentar impedir que a MP seja aprovada em agosto, fazendo com que ela perca a validade no início de setembro, prazo limite para sua votação.
“Estamos buscando aprovar pautas prioritárias do governo, mas a avaliação é conservadora, as principais não serão votadas agora. É só uma semana, com tramitações complicadas, em duas Casas, “, revela um líder governista.
Relação entre Lula e Alcolumbre
O desgaste entre Lula e Alcolumbre começou a se aprofundar em abril, quando o Senado rejeitou a indicação do então advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no STF.
O movimento foi articulado, segundo interlocutores, por Alcolumbre e representou uma derrota inédita para Lula, que considerava a nomeação estratégica para seu governo.
A partir dali, a relação entre os dois esfriou e o presidente passou a demonstrar insatisfação também com decisões do Congresso sob influência do senador.
Entre os episódios que ampliaram a tensão esteve a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Nos meses seguintes, aliados dos dois lados passaram a atuar para restabelecer o diálogo. Segundo interlocutores, Alcolumbre enviou sinais de que desejava se encontrar com Lula para reconstruir a relação. O presidente, porém, teria resistido inicialmente a uma reaproximação.
A retomada dos contatos só avançou após articulações conduzidas pelos ministros do STF Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, que trabalharam para criar um ambiente de distensão entre os dois.
Na avaliação auxiliares dos dois lados, o encontro realizado na semana passada teve justamente o objetivo de “quebrar o gelo” e abrir caminho para uma reconstrução gradual da relação política.


