Especialistas criticam projetos de geoengenharia solar contra mudança climática

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© CHANDAN KHANNA

Cerca de 60 cientistas pediram nesta segunda-feira (17) que não se utilize a geoengenharia solar para resfriar a superfície da Terra, um método de combate à mudança climática, mas que esses especialistas consideram excessivamente imprevisível.

A geoengenharia solar ou climática implica a manipulação em grande escala da atmosfera para provocar mudanças que ajudem a frear o aquecimento do planeta. Especificamente, usa-se a dispersão de trilhões de partículas de enxofre na camada mais externa da atmosfera, para aumentar a refração dos raios solares.

Os efeitos colaterais poderiam superar os benefícios, segundo este documento publicado na revista WIREs Climate Change.

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“A implantação da geoengenharia solar não pode ser administrada mundialmente de forma justa, inclusiva e eficaz. Pedimos, portanto, aos governos, à ONU e a outros atores que adotem medidas políticas imediatas para impedir a normalização da geoengenharia solar como opção contra o aquecimento do planeta”, explicam os especialistas.

A temperatura do planeta já aumentou aproximadamente 1,1 °C desde a era pré-industrial, o que provocou um aumento dos fenômenos climáticos extremos, sejam as grandes secas, inundações ou tempestades, segundo os cientistas.

A comunidade internacional ratificou seu compromisso de limitar o aumento da temperatura média para menos de +2 ºC, preferencialmente a +1,5 ºC, embora os especialistas da ONU estimem que esse limite de +1,5 °C possa ser superado em 2030.

A história dos fenômenos naturais, como as erupções vulcânicas, mostraram que os gases que chegam à parte superior da atmosfera resfriam a temperatura média do planeta. Foi isso o que aconteceu com a grande erupção do vulcão Pinatubo nas Filipinas em 1991.

No entanto, uma modificação da atmosfera feita propositalmente poderia desestabilizar o sistema de monções no sul da Ásia e no oeste da África, afetando grandes extensões de cultivos, e causar fome, de acordo com estudos já publicados.

Por outro lado, essa tecnologia não impediria a concentração de CO2 na atmosfera causada pela atividade humana.

Os signatários desta carta pública, entre eles Aarti Gupta da universidade holandesa de Wageningen, e o presidente da Agência do Meio Ambiente alemã, Dirk Messner, consideram que essa tecnologia poderia “dissuadir os governos, as empresas e as sociedades de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para atingir a neutralidade do carbono”, ou seja, o equilíbrio entre as emissões e a retenção de gases de efeito estufa.

mh/abd/ak/bow/jz/es/aa

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