EUA e Argentina articulam reunião sobre Venezuela na ONU; Brasil não deve ir

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Os governos dos Estados Unidos e da Argentina estão organizando uma reunião na Organização das Nações Unidas, em paralelo à Assembleia-Geral da entidade, em Nova York, para discutir a situação na Venezuela. A iniciativa marca distância da ação diplomática do Brasil para a crise e mostra como os países das Américas não conseguem articular uma resposta coordenada à deriva autoritária do chavismo desde as eleições de 28 de julho.

O chanceler do governo Lula (PT), Mauro Vieira, foi convidado, mas auxiliares que acompanham o tema dizem que ele não deve participar. Tampouco está prevista a presença de qualquer outro representante brasileiro.

O objetivo do encontro, marcado para a próxima quinta-feira (26), é que ministros das Relações Exteriores de diferentes países discutam temas relacionados à crise venezuelana, entre eles a participação da ditadura chavista em fóruns internacionais. O regime de Nicolás Maduro não tem representação na Organização dos Estados Americanos (OEA), por exemplo, mas atua no sistema ONU.

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Outro tema na agenda são violações às convenções sobre asilo diplomático, numa referência à embaixada da Argentina em Caracas. O edifício ficou sob proteção diplomática do Brasil desde 5 de agosto, quando a ditadura chavista expulsou diplomatas argentinos do país. No início de setembro, o regime anunciou que havia revogado a custódia do Brasil, num episódio considerado determinante para a decisão de Edmundo González, candidato das forças opositoras no pleito, de pedir asilo na Espanha.

O Brasil, por sua vez, afirma que permanece responsável pelo edifício, à espera de que outro país assuma essas funções. Seis assessores da oposição estão refugiados na embaixada argentina.

A situação na Venezuela se agravou depois do pleito de julho. Maduro foi declarado vencedor pelo órgão eleitoral controlado pelo chavismo, mas o resultado foi prontamente questionado por governos da região.
A organização de um evento conjunto entre Washington e Buenos Aires é mais uma iniciativa que tenta aglutinar países da região em resposta à crise venezuelana.

O ultraliberal Javier Milei é um dos críticos mais duros de Maduro e o acusou de fraudar o pleito. No mais recente choque, a Procuradoria da Venezuela anunciou que pediria um mandado de prisão contra o presidente argentino.

O encontro do dia 26 em Nova York marca ainda distância da ação diplomática que o governo Lula vinha tentando articular, até o momento sem sucesso. Num primeiro momento, Lula costurou conjuntamente uma resposta com os esquerdistas Gustavo Petro (Colômbia) e Andrés Manuel López Obrador (México).
Basicamente, os três países vinham pressionando pela divulgação de atas eleitorais que comprovariam o resultado anunciado —o que nunca ocorreu.

O México abandonou a articulação poucas semanas depois, e Brasil e Colômbia seguiram publicando notas sobre acontecimentos na Venezuela. Mesmo a ação da dupla, no entanto, esfriou na medida em que Maduro não enviou qualquer sinal de moderação.

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