EUA listam países que terão exigência de caução de US$ 15 mil para obter visto; Brasil fica de fora

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Domo do Capitólio dos EUA é visto a partir da instalação das bandeiras no Passeio Nacional, em Washington, em 20 de janeiro de 2021 — Foto: Julio Cortez/AP

O governo dos Estados Unidos divulgou na terça-feira (5) os nomes dos países cujos cidadãos terão de pagar um valor caução de US$ 15 mil (cerca de R$ 82 mil) por vistos de trabalho e turismo.

Por enquanto, apenas Zâmbia e Malaui entraram na exigência, segundo a lista divulgada nesta terça pelo Departamento de Estado dos EUA. Mas o governo de Donald Trump avisou que deve ampliar o número de países submetidos ao valor caução.

O Brasil ficou de fora da lista inicial, e não há informações sobre se o país pode passar a fazer parte do programa.

A medida, anunciada na segunda-feira (4), é um projeto-piloto que, segundo Washington, visa impedir que pessoas que entrem nos EUA com vistos de turista ou de negócios permaneçam no país para residir de forma ilegal.

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Pelo programa, que entrará em vigor em duas semanas, o visitante só recebe de volta o valor caução após deixar os EUA dentro do período permitido pelo visto.

O Departamento de Estado afirmou que a medida ficará em teste por 12 meses e que irá atingir solicitantes dos vistos B-1, destinado a atividades de negócios temporárias, como participar de reuniões, conferências, negociações, e B-2, para viagens de turismo, lazer ou tratamento médico.

Segundo o texto, os afetados pelo programa serão cidadãos de países com “altas taxas de permanência ilegal e onde as informações de triagem e verificação são consideradas deficientes”.

“O Departamento anunciará os países abrangidos através do Travel.State.Gov com pelo menos 15 dias de antecedência da entrada em vigor do programa piloto, e esta lista pode ser alterada ao longo do piloto, com 15 dias entre o anúncio e a promulgação”, explica.

A partir de 20 de agosto, os agentes consulares terão três opções de valores para exigir dos requerentes de visto: US$ 5.000, US$ 10.000 ou US$ 15.000 — mas, em geral, espera-se que exijam pelo menos US$ 10.000, afirma o comunicado.

Em novembro de 2020, o Departamento de Segurança dos EUA tentou implementar este mesmo projeto-piloto pela primeira vez.

Na ocasião, os países afetados seriam 24: Afeganistão, Angola, Butão, Burkina Faso, Birmânia, Burundi, Cabo Verde, Chade, República Democrática do Congo, Djibuti, Eritreia, Gâmbia, Guiné-Bissau, Irã, Laos, Libéria, Líbia, Mauritânia, Papua-Nova Guiné, São Tomé e Príncipe, Sudão, Síria e Iêmen.

O Departamento de Estado diz que o programa não foi à frente “em vista da redução mundial de viagens globais como resultado da pandemia de Covid”.

O órgão também destaca que o piloto, feito em parceria com o Departamento de Segurança Interna, é uma resposta à ordem executiva 14.159, assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamada de “Protegendo o Povo Americano Contra a Invasão”.

Gold Card

Em abril, o governo dos Estados Unidos anunciou que começaria as vendas dos “Gold Cards”, ou “Cartões Dourados”. O documento, que exige um investimento de US$ 5 milhões — cerca de R$ 30 milhões — abre caminho para que imigrantes ricos obtenham a cidadania americana.

▶️ Contexto: Em fevereiro, Trump afirmou que queria atrair estrangeiros dispostos a investir e gerar empregos nos Estados Unidos.

  • À época, o secretário do Comércio, Howard Lutnick, disse que o Gold Card deve substituir o atual programa para investidores, conhecido como EB-5.
  • Atualmente, o EB-5 permite que estrangeiros solicitem residência permanente se criarem empregos para americanos ou investirem em empreendimentos no país.
  • Lutnick afirmou que há muitas fraudes no EB-5 e que o programa concede residência permanente a preços baixos.

🟡 Como funciona? Os interessados podem solicitar o documento no site da Secretaria de Comércio dos EUA. Veja o que se sabe:

  • Trump afirmou que o Visto Dourado terá mais privilégios do que o Green Card.
  • Todos que se inscreverem no programa passarão por uma análise das autoridades americanas antes de receber o visto.
  • Segundo Trump, o Gold Card será um caminho para a cidadania americana.
  • O presidente chegou a apresentar um protótipo do cartão, que tem uma foto dele diante da imagem da Estátua da Liberdade e da águia símbolo do país.

👀 O que querem os EUA? O governo afirmou que a venda dos Gold Cards ajudará a reduzir o déficit financeiro do país.

  • Trump também sugeriu que, além de gerar empregos, o programa poderá atrair mão de obra qualificada.
  • Segundo o presidente, empresas americanas poderão comprar o visto para trabalhadores estrangeiros especializados.
  • A medida também busca atrair novos investimentos estrangeiros.

⚠️ Quais os riscos? Países europeus têm ou já tiveram programas semelhantes, mas a Comissão Europeia recomendou sua suspensão ou restrição.

  • Na Europa, autoridades demonstraram preocupação com segurança interna e lavagem de dinheiro.
  • Alguns países concediam um “Golden Visa”, garantindo residência permanente a estrangeiros que comprassem imóveis caros.
  • Reino Unido, Portugal e Espanha decidiram encerrar ou restringir o programa após recomendações da Comissão Europeia.
  • Nos EUA, após o anúncio em fevereiro, jornalistas perguntaram a Trump se o Gold Card poderia facilitar a entrada de oligarcas russos no país.
  • “Sim, possivelmente. Eu conheço alguns oligarcas russos que são pessoas muito boas”, respondeu o presidente.

 

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